Avisada por Lula, Dilma não comenta desistência
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Lisandra Paraguassú e Vera RosaAgência Estado 
Copenhague e Brasília - A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata do PT ao Planalto, foi avisada no início da noite de ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o governador mineiro, Aécio Neves (PSDB), havia desistido de disputar a Presidência em 2010. Eles estão na capital dinamarquesa, onde participam da COP-15, a Conferência do Clima.
Em Copenhague, a notícia da renúncia de Aécio chegou ao hotel D'Angleterre, onde está hospedada a delegação presidencial, ao final de uma reunião de Lula com a chanceler alemão, Angela Merkel. ''O presidente soube da notícia e me contou'', disse a ministra Dilma ao deixar o hotel para um jantar, por volta das 20h30 (horário local), acompanhada do assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia (Assuntos Internacionais) e o negociador da COP-15, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo.
Questionada sobre o que havia achado da decisão de Aécio Neves, Dilma acrescentou: ''O presidente não fez nenhum comentário, e eu também não vou fazer porque não li a carta da renúncia''.
Em Brasília, no Palácio do Planalto e entre os líderes petistas, a renúncia foi tratada como ''um fato previsível.'' Para o líder do PT no Senado, Aloízio Mercadante (SP), ''era uma novidade esperada'', resumiu . Mas tanto no governo como no PT, o temor é que Aécio ocupe a vaga de vice na chapa de Serra. Uma chapa unindo São Paulo e Minas, os dois maiores colégios eleitorais do País, é considerada uma ''aliança perigosa''. Em público, porém, todos negam esse receio. ''Nós não tememos nem chapa puro sangue nem sanduíche'', disse Mercadante. ''Temos um governo a apresentar. É só comparar as administrações do PT e do PSDB. Os tucanos, realmente, estão numa situação muito difícil.''
O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), concordou com Mercadante e observou que o tucanato vive uma ''fase complicada''. Disse, porém, não acreditar que Aécio acabe virando vice de Serra. ''Mas não vou ficar comentando as fissuras dos adversários'', ressalvou Vaccarezza. ''Nós temos de montar a nossa chapa. Os tucanos que resolvam os problemas deles.''


