Críticas, elogios, expectativas. Itens que não faltaram na análise das políticas públicas municipais adotadas em 2005 em diversos setores da cidade. A pedido da Folha de Londrina, representantes da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Conselho Comunitário de Segurança, Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), e Sindicato dos Professores (APP-Sindicato) avaliaram os avanços e os retrocessos vivenciados pela cidade no ano passado.

CONSTRUÇÃO CIVIL
Para o presidente do Sinduscon, Junker Grassioto, as expectativas em relação a 2005 nas três esferas do governo, não se concretizaram integralmente. ''Em relação à construção civil tínhamos promessas de investimentos em obras sociais que praticamente não aconteceram. Os financiamentos imobiliários ficaram muito aquém do previsto. Obras públicas de porte, a nível nacional, praticamente nenhuma. Ficamos como estávamos, em compasso de espera, assistindo televisão, atordoados com as notícias inimagináveis de corrupção'', desabafou. ''Achávamos que só nosso setor estava devagar, até o momento em que veio a bomba do crescimento negativo de 1,2%. Não éramos nós que estávamos em marcha lenta, era o Brasil. E lá se foram mais doze meses'', complementou Junker. ''Quanto à cidade, percebo um pouco mais de dinamismo, ainda que a prefeitura não tenha grandes recursos para investimentos. Faz uma coisinha aqui, outra ali, um remendo acolá. Ao olharmos o que aconteceu com o orçamento de 2005 e o aprovado para 2006, não podemos nos sentir muito otimistas'', ponderou.


URBANIZAÇÃO
Na avaliação do presidente do Ceal, Nelson Brandão, a cidade está ''estagnada''. ''Não é difícil perceber que nossa cidade está estagnada, sem projetos futuros, sem diretrizes e sem uma política de desenvolvimento que determine aplicações e projetos. Não podemos afirmar que isto está sendo resolvido pela adequação do plano diretor. A espera de novas regras que determinam o desenvolvimento de uma cidade pode ser considerada pelo menos um atraso técnico e político'', afirmou. Brandão ainda expôs o descontentamento com uma série de acontecimentos de 2005. ''Londrina iniciou 2005 com aprovação, no apagar das luzes, pela Câmara dos Vereadores e sancionadas pelo Executivo, de leis que contrariavam o que reza o ordenamento de uma cidade. Continuaram durante o ano desafetando áreas de domínio público, ou seja, praças, como bem entenderam. Terminam o ano doando área na Gleba Palhano, região nobre de nossa cidade, para implantação de indústria. E ainda, fazendo valer uma lei que pode mudar toda característica do centro de nossa Londrina, com o intuito simples de coibir a implantação de um determinado investimento naquela área'', elencou. ''Deixamos de ter em Londrina um grande supermercado, que atrairia pessoas de toda região para o comércio local. Deixamos de construir o memorial do pioneiro. A Avenida Ayrton Sena foi aberta graças às doações dos proprietários de parte dos imóveis e ainda a cobrança da infra-estrutura. É a triste realidade de nossa cidade'', concluiu.

SEGURANÇA
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Alvino Aparecido Filho, reconhece que o município adotou políticas públicas sociais desenvolvidas pelo governo federal, mas acredita que as ações devam ser menos assistencialistas. ''Precisamos promover inovação social com os pés no chão, transformando as ações de políticas públicas de meramente assistencialistas em formadoras de cidadãos com condições de participarem na construção de uma sociedade mais equilibrada. O modelo atual, sem dúvida, acaba mostrando a face mais cruel da exclusão social, estampando a violência cotidiana, que banaliza os direitos humanos e preocupa a todos os cidadãos'', disse.

INDÚSTRIA E COMÉRCIO
Para o presidente da Acil, José Augusto Rapcham, o destaque de 2005 na área pública foram as parcerias firmadas pela prefeitura com entidades locais. ''2005 foi um ano de avanços para o meio empresarial de Londrina. Conseguimos criar condições para que o desenvolvimento do município possa ser planejado corretamente e implementado concretamente. E isso tem como causa o amadurecimento das entidades locais para a necessidade de trabalhar juntas. Essa união vem criando uma base de representatividade real, autêntica, sem ruídos políticos e outros interesses particulares'', relatou. ''Um ponto a ser destacado é a criação do Fórum Permanente de Planejamento Estratégico para o Desenvolvimento Sustentável de Londrina, com a participação efetiva de entidades do setor produtivo e de representantes do poder público municipal. Esse é um grande salto de qualidade na tomada de decisões sobre temas de peso na economia local. A parceria entre o município e a Acil para a realização da Londrishow, campanha lançada em julho e que conseguiu movimentar a economia local, é outro exemplo bem sucedido de interação entra a iniciativa privada e o Poder Público.'' Para Rapcham, o aumento na geração de empregos é mérito dos empresários e expõe a necessidade de uma atuação mais arrojada do Executivo e do Legislativo londrinenses. ''Infelizmente, prevalece ainda a visão assistencialista, com a criação de bolsa disso, bolsa daquilo. A geração de empregos em Londrina poderia ser muito maior se tivéssemos uma ação municipal mais arrojada e ativa.''

EDUCAÇÃO
O presidente da APP-Sindicato de Londrina, Nelson Antonio da Silva, apontou diversos pontos positivos da administração municipal na educação. ''O investimento em educação representa cerca de 27% do orçamento municipal. Portanto acima dos 25% exigidos pela Constituição Federal. Tivemos várias escolas ampliadas, reformadas e construídas, seis quadras cobertas, o que melhora a qualidade da educação. O município investiu na informatização das escolas, promovendo a inclusão digital. Sabemos que o índice de leitura aumentou em razão das bibliotecas instaladas nas escolas e da ampliação dos acervos'', comemorou. Silva somente lamentou a falta de negociação do reajuste salarial da categoria. ''Em 2005 não observamos avanços na melhoria da qualidade nos direitos dos professores municipais, pois um extremismo inconsequente e de caráter pessoal fez com que as negociações não avançassem. Esperamos que em 2006 melhorem as relações com os trabalhadores em educação, professores e funcionários. Gostaríamos que o governo do Estado se espalhasse em Londrina nos investimentos em educação'', concluiu.

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