Avaliação positiva de Lula cai 6 pontos
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terça-feira, 19 de abril de 2005
Iuri Dantas<br> Folhapress 
Brasília - Apesar de a aprovação ao seu governo se manter estável, a avaliação do desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu uma queda em relação a fevereiro, mostra pesquisa do Instituto Sensus elaborada a pedido da Confederação Nacional dos Transportes. Em comparação com a última edição da pesquisa, caiu seis pontos percentuais a aprovação do desempenho pessoal de Lula de 66,1 para 60,1. Já a administração federal oscilou dentro da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais para mais ou a menos. Em fevereiro, 42,6% aprovavam o governo; em abril o índice recuou para 41,9%.
O instituto avaliou ainda o impacto dos discursos do presidente. Apesar de 53,2% terem declarado que gostam das falas de Lula, 55,9% concordaram com a afirmação de que seus discursos contêm ''erros e inadequações''. Um dos fatos mais significativos da política econômica, a não-renovação do acordo com o Fundo Monetário Internacional, foi aprovada por mais da metade dos entrevistados (56,3%).
Segundo o presidente da CNT, deputado Clésio Andrade (PFL-MG), os números indicam um ''sinal amarelo'' para o governo. O principal motivo da queda na aprovação de Lula seria a deterioração da saúde, da educação e da segurança pública, segundo o parlamentar. O partido de Andrade faz oposição ao governo. ''Essa pesquisa pode significar neste momento muito mais um motivo de alerta. Mesmo com a queda, o presidente Lula ainda tem uma popularidade muito confortável'', afirmou.
Um exemplo da avaliação do deputado está nos cenários para a sucessão de Lula no ano que vem. O petista vence o pleito e se reelege em todas as situações apresentadas pelos pesquisadores espontaneamente ou com base em nove listas de candidatos. ''O primeiro ponto aí é que não há candidato (viável) contra, hoje'', disse Andrade.
Para Carlos Pio, cientista político da UnB (Universidade de Brasília), o crescimento econômico de um lado e a ineficiência na área social, aliada às recentes polêmicas na política, de outro, explicam a diferença na avaliação do desempenho do governo e de Lula. ''O governo tem avaliação estável porque a situação econômica é estável. O crescimento do ano passado é um índice muito elevado, e continua tendo um ritmo bastante razoável. Isso garante percentuais razoáveis de apoio.''
Além da demora na reforma ministerial, cujas discussões ocuparam o noticiário por cinco meses, as falhas nas políticas sociais também comprometeriam a avaliação de Lula no Planalto. ''Desde que foi eleito, o presidente está envolvido em uma série de polêmicas. Uma série de políticas públicas não estão funcionando, especialmente na área social. O sinal de ineficiência no gasto social é muito elevado. Tivemos também os problemas na reforma ministerial, as dificuldades do PT que resultaram na eleição do Severino Cavalcanti (para a Presidência da Câmara). É um desencanto, crescente. Mas nada que ameace a saúde eleitoral do presidente'', disse.


