Avaliação do Congresso piora em meio a trégua com governo
Deputados e senadores do Paraná ouvidos pela FOLHA atribuem resultado às tensões políticas acentuadas na pandemia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de agosto de 2020
Deputados e senadores do Paraná ouvidos pela FOLHA atribuem resultado às tensões políticas acentuadas na pandemia
Guilherme Marconi - Grupo Folha 
A diminuição do conflito institucional alimentado por Jair Bolsonaro (sem partido) no primeiro semestre coincidiu com uma piora da avaliação do Congresso Nacional. Segundo pesquisa do Datafolha, a avaliação negativa do Legislativo subiu cinco pontos percentuais, três acima da margem de erro, do fim de maio para cá. O Supremo Tribunal Federal, outro polo de conflito com Bolsonaro, manteve sua avaliação estável - embora oscilando negativamente, dentro da margem. O Datafolha fez seu levantamento com 2.065 pessoas por telefone, em 11 e 12 de agosto.
Olhando as médias, a atual legislatura mantém certa estabilidade, após uma queda mais acentuada no auge da disputa com o Executivo. Em relação à pesquisa feita em 25 e 26 de maio, a aprovação do Congresso se manteve estável: de 18% para 17% de ótimo e bom. Já a reprovação subiu de 32% para 37%. Os que acham o trabalho de deputados e senadores regular oscilaram negativamente de 47% para 43%.

Para o senador Flavio Arns (Rede), a pesquisa reflete a temperatura política extremamente alta, principalmente com a queda de braço entre Bolsonaro e o Congresso no manejo do Orçamento e pelas medidas de combate à pandemia. "Penso que a avaliação reflete, em parte, esse clima de conflito ao qual a sociedade está exposta. Considero isso muito ruim, pois em um momento de crise como o que estamos vivendo, todos os poderes deveriam puxar a corda para o mesmo lado e trabalhar de forma articulada para enfrentarmos os graves problemas sanitários, econômicos e sociais que o país está enfrentando. O Congresso tem feito sua parte na aprovação de leis na direção do que a população está precisando neste momento, com medidas de promoção da saúde, economia e na área social." avalia ele à FOLHA.
Já o deputado federal Diego Garcia (Pode) considera que a pandemia prejudicou a visibilidade do trabalho do Congresso, principalmente com a suspensão dos trabalhos das comissões mistas e especiais. "São os parlamentares que representam a sociedade brasileira. Os deputados são responsáveis por representar os anseios da comunidade. Estamos mais limitados para levantar pautas."
Garcia também vê prejuízo na forma que o Congresso é conduzido pelos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). "Os parlamentares são pegos de surpresa, muitas vezes, por pautas colocadas de última hora", diz, ao citar o exemplo do projeto de lei das fake news aprovado no Senado e que está na pauta da Câmara. "São mais de 30 artigos. O projeto não fala nada em combater a desinformação e notícias falsas. São pautas colocadas de uma maneira que vão na contramão do que a sociedade espera . Foi promovido um ciclo de debates que só um lado pode participar", critica Garcia.
PERFIL
Os mais ricos são os mais críticos aos Poderes avaliados. No grupo que ganha mais de 10 salários mínimos, 51% rejeitam o Congresso e 52%, o Supremo. A melhor aprovação dos parlamentares vem dos mais pobres, 22% de ótimo e bom, e dos menos instruídos (21%). Em relação aos magistrados, são 31% e 32% de aprovação nos mesmos grupos, respectivamente. A crítica aos dois Poderes é maior entre empresários e funcionários públicos.
Já a aprovação maior, no recorte de ocupações, ocorre entre donas de casa para o Congresso (28%) e assalariados sem registro em relação ao Supremo (42%). Enquanto isso, a atuação dos 11 ministros do STF se manteve estável. O índice de ótimo e bom oscilou de 30% para 27%, o de regular, de 40% para 38%, e o de ruim/péssimo, de 26% para 29%. Entrevistas foram feitas por telefone devido à Covid-19. (Folhapress).


