Curitiba- O diretor do Fator Projetos e Assessoria banco que fez a avaliação do preço mínimo de venda do Banco do Estado do Paraná (Banestado) , Venilton Tadini, imputou aos antigos administradores do banco a responsabilidade pelo baixo valor computado para os créditos com pessoas físicas e jurídicas. A carteira de crédito (empréstimos concedidos) era de R$ 1,5 bilhão e foi avaliada em R$ 141 milhões. ''A maior parte dos créditos não tinha garantia. Por isto não havia como computar. Estes créditos sem garantia entraram com crédito igual a zero. Estas operações bancárias tinham claramente problemas'', considerou.
Os créditos com garantia imobiliária foram avaliados em separado e tiveram computados 48% do valor do saldo devedor como recuperáveis no prazo médio de dois anos. Os créditos com hipoteca foram avaliados em 20% do valor total do saldo devedor. ''Utilizamos uma metodologia universal. Aceita internacionalmente'', sinalizou. Todo o patrimônio líquido do Banestado, computando 206 imóveis considerados de uso, 1.298 imóveis recebidos como dação em pagamento de dívidas e a carteira de clientes do banco (composta por pessoas físicas, jurídicas, governo do Estado e funcionalismo público), teve o preço mínimo estipulado em R$ 414 milhões.
O depoimento de Tadini à CPI do Banestado durou duas horas e meia. Ele negou que o banco tenha recebido comissão pelo ágio da venda do Banestado ao Itaú. O banco foi vendido por R$ 1,6 bilhão. ''Nós não recebemos um prêmio pelo ágio. Recebemos um prêmio de sucesso em cima do valor total da venda. Nunca tivemos interesse em subavaliar o banco'', declarou ele. O Fator recebeu como prêmio pela venda R$ 6,4 milhões. ''A nossa avaliação é diferente. A metodologia usada foi a mais lesiva possível ao povo do Paraná'', declarou o deputado estadual Neivo Beraldin (PDT), presidente da CPI do Banestado.
Tadini tentou convencer os deputados que o Banestado não rende lucro ao Itaú, apresentando o desempenho em separado do banco no balanço semestral. De acordo com os dados apresentados, no primeiro semestre de 2002, o Banestado teria gerado um déficit de R$ 153 milhões ao Itaú. No primeiro semestre deste ano, o déficit estariam em R$ 480 milhões. ''Eu nunca quis adivinhar o preço de venda, quis evitar que a venda do Banestado acontecesse com preço lesivo ao patrimônio público'', disse.
O CCF Brasil, outro banco que avaliou o Banestado e hoje foi incorporado ao HSBC, fez uma avaliação similar ao Fator. O preço mínimo foi estipulado em R$ 434 milhões. O diretor executivo de Relações Institucionais do HSBC, Hélio Ribeiro Duarte, negou que tenha mantido contato com o concorrente. ''Usamos a mesma metodologia de fluxo de caixa reduzido. É normal que o resultado final seja semelhante'', complementou.

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