Aval para Belinati
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de agosto de 2004
Ruth Bolognese 
Quem for candidato a prefeito em Londrina pode enfiar viola no saco, como diria a Vó Maria. A decisão do TRE sobre a candidatura de Antônio Belinati, PSL, tem precedente perigoso e complicado nestas alturas da campanha eleitoral. Cria um clima muito semelhante à situação de Jaime Lerner em 88, cuja possibilidade de candidatura era questionada por causa da mudança do título eleitoral de Curitiba para o Rio de Janeiro, num rompante de amor a Brizola. Os demais candidatos não empolgavam o eleitor curitibano e, 12 dias antes da eleição, o TSE deu o sim e Lerner saiu pelas ruas nos braços do povo.
É claro que devem ser mantidas as devidas proporções. Belinati não está mais candidato por iniciativa do Ministério Público. Mas detém quase 40% da preferência popular, o que lhe dá todo o direito, do ponto de vista da população, a disputar a eleição.
Tirá-lo da disputa agora é torná-lo mais forte e, de certa forma, abrir caminho para um voto insatisfeito, com jeito de usurpado. E eleitor insatisfeito é mais ou menos como amante rejeitado: tende a se entregar para o primeiro que aparece, péssima condição para quem vai escolher o futuro prefeito de Londrina.
A democracia tem grandes defeitos, sim. Mas, ainda assim, é o melhor dos riscos. A praticamente um mês das eleições, tirar o primeiro colocado nas pesquisas não ajuda nem a campanha, nem os demais candidatos, considerando-se, ainda, que Belinati pode recorrer da decisão e voltar. O tempo corre a favor dele. E a equação é matemática: se puder voltar, quanto mais próximo do dia D, maior será a festa. Se o TSE confirmar a decisão do Tribunal Regional, serão 40% por cento de eleitores que poderiam ter votado nele. Ou poderiam ter desistido de votar nele como manifestação do livre arbítrio, convencidos pelos argumentos dos demais candidatos. Simples como a legitimidade do voto.
Preto no branco: o direito de tirar Belinati da disputa já não pertence a ninguém. Só às urnas.


