A decisão do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de incluir o nepotimo entre as irregularidades do Poder Judiciário que devem ser investigadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) deixa em situação incômoda um dos auxiliares mais próximos dele, o secretário-geral da Casa, Raimundo Carreiro. Ele tem uma filha e a mulher, aposentada do Tribunal de Contas da União (TCU), ocupando cargos comissionados do Senado.
ACM perguntou aos assessores se a situação é ilegal. Responderam que não. O senador não fez mais nenhum comentário sobre o assunto. A estudante de Direito Juliana de Ávila Carreiro, de 19 anos, ganha R$ 4,14 mil brutos, por meio expediente, como secretária parlamentar da liderança do governo. O emprego funciona como uma espécie de bolsa de estudo, uma vez que ela passa boa parte da tarde estudando. A aposentada do TCU Maria José, mulher de Carreiro, recebe há dois anos um salário mensal de R$ 4,88 mil como assessora do diretor-geral, Agaciel Maia. Já a mulher de Maia, a analista legislativa Sânzia Maia, no Senado há 15 anos, ganha cerca de R$ 6 mil como assessora de Carreiro.
Carreiro disse que não vê nenhuma irregularidade nisso. ‘‘Todo mundo aqui tem a família no Senado’’, alegou. ‘‘Eu não coloquei a minha quando deveria colocar.’’ Carreiro disse que a filha está no Senado há dois anos e que, antes, estava lotada no gabinete do senador Odacir Soares (PTB-RO), não-reeleito. Ele justifica dizendo que a estudante ocupa o cargo desde os 18 anos. O responsável pela contratação de Juliana, senador Romeu Tuma (PFL-SP), disse que atendeu a um pedido do secretário-geral.

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