Curitiba - O secretário estadual do Planejamento e Coordenação Geral e ex-ministro Reinhold Stephanes, que presidiu o Banestado de 1999 a 2000, preferiu não entrar no mérito do depoimento do doleiro Alberto Youssef, prestado anteontem à CPMI dos Correios.
Youssef afirmou que pagou propina a ex-diretores do Banestado em troca de favorecimentos do antigo banco estatal para envio de dinheiro ao exterior através de contas CC5. Segundo o doleiro, seriam enviados para fora do País até US$ 15 milhões diários. Esse esquema teria vigorado de 1996 a 2000, conforme o doleiro. Em outubro de 2000, no governo Jaime Lerner (PSB), o banco foi privatizado, após um período de saneamento comandado por Stephanes. O Itaú arrematou o Banestado por R$ 1,6 bilhão.
Através de sua assessoria de imprensa na Secretaria do Planejamento, Stephanes disse que as operações no banco foram suspensas durante sua gestão, porque o Banestado estava sendo saneado para a venda.
A princípio, as contas CC5 são um instrumento legal, mas acabaram desvirtuadas, em alguns casos. Foram criadas pela Carta Circular número 5 (CC5) do Banco Central daí o nome para serem utilizadas por não residentes. Essas contas permitem aos titulares converter o saldo em dólares. Por isso, acabaram usadas para remessas ilegais.
A remessa ilegal é justamente o alvo de investigação de uma força-tarefa que atua no Paraná. Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita Federal fazem um pente-fino para descobrir quem são os beneficiários e os envolvidos no esquema.
No ano passado, o Ministério Público Federal no Paraná propôs 48 denúncias contra 62 pessoas, entre diretores, membros do Conselho de Administração e membros do Conselho Fiscal do Banestado, por crimes de gestão fraudulenta. As investigações tiveram como base documentos encaminhados à Procuradoria da República no Paraná pelo Banco Central, em 149 volumes.
O procurador Vladimir Aras, da força-tarefa, lembrou em entrevista à Folha que Youssef foi o primeiro doleiro a ser alvo da força-tarefa. Segundo Aras, o doleiro repetiu à CPMI dos Correios o que já tinha dito ao Ministério Público.
O ex-presidente do Banestado Manoel Campinha Garcia Cid (gestão 1997-1999) foi um dos denunciados pela força-tarefa CC5 do Ministério Público Federal (MPF) em setembro do ano passado, por crime contra o sistema financeiro nacional. Em junho, Garcia Cid foi condenado pela Justiça Federal em Curitiba a seis anos de prisão e a pagar 3,7 mil salários de multa. Mas cabe recurso, que foi encaminhado no final de setembro ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, em Porto Alegre (RS), e aguarda julgamento. O relator é o desembargador federal Néfi Cordeiro. A Folha tentou contato ontem com Garcia Cid, mas ele estava fora da cidade e seu escritório em Londrina não deu retorno ao pedido de entrevista.

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