Autoridade independe de força, diz FHC
Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que não precisa usar de força para exercer a autoridade e que o povo sabe que o presidente exerce a autoridade cumprindo a lei e sem violência. Em entrevista ao vivo concedida à Rede Globo, Fernando Henrique rebateu os críticos, que questionam o temperamento ponderado e indeciso dele e cobram decisões mais enérgicas. Em diferentes trechos da entrevista, Fernando Henrique indagou: O que vocês querem?; que eu dê ordem unida ao Congresso?; que eu prenda, arrebente?; vocês querem o Pinochet aqui?; querem uma pessoa que venha aqui e imponha?, perguntou.
A referência ao ex-ditador chileno Augusto Pinochet foi feita quando o presidente respondia à pergunta sobre os baixos índices de popularidade. Segundo ele, na ditadura de Pinochet e durante o período da ditadura militar brasileira, os índices de crescimento eram altos.
Eu não estou governando para a popularidade e nem para índices, estou governando para fazer o que o Brasil precisa, dentro da concepção democrática. O presidente lembrou que, sem caudilhismo, sem imposições, durante todos os cinco anos do mandato, conseguiu aprovar 16 emendas constitucionais e várias leis audaciosas e importantes para o País. Para Fernando Henrique, os baixos índices de popularidade que vem enfrentando não estão relacionados a atritos com a base aliada ou ao temperamento conciliador e ponderado.
Por que é que, nos outros anos, com essa base e com o meu temperamento, a popularidade era alta?, questionou. Maior ou menor apoio depende do bolso, da perspectiva, da confiança. Sobre o fato de ser muito ponderado e, às vezes, até mesmo hesitar ao tomar decisões, FHC afirmou que o Brasil já foi governado por gente não ponderada e deram todos com os burros nágua porque isso não é uma questão de temperamento, é uma questão de entender o que é a democracia.
A referência à frase usada pelo ex-presidente do governo militar, general João Baptista de Oliveira Figueiredo Eu prendo e arrebento foi feita pelo presidente para responder à falta de reação do governo frente à manifestação dos militares da reserva em solidariedade ao ex-comandante da Aeronáutica, Walter Brauer, demitido por quebra de hierarquia. Além de ressaltar que a demissão não resultou numa crise militar, o presidente afirmou que cabe à Câmara tomar uma atitude em relação ao deputado Jair Bolsonoro (RJ) que, na opinião dele, passou dos limites.
Respondendo sobre economia o presidente disse que está otimista com o dólar oscilando entre R$ 1,75 e R$ 1,85. O Banco Central vai acompanhar no dia a dia o que está acontecendo. Não há nenhuma razão, sobretudo se houver saldo na balança comercial, para estarmos imaginando que o dólar vá subir mais ou menos.
A entrevista foi concedida antes de o presidente embarcar para municípios da Região Sudeste, onde visitou áreas alagadas pelas chuvas. O presidente disse ainda que há sinais de crescimento econômico para este ano e negou que tenha falado que a era das reformas passou. Segundo Fernando Henrique, como a sociedade quer as reformas e o Congresso está contaminado por esta vontade popular, ele não precisará se empenhar tanto, como fez até agora, pela aprovação.





