Autora de representação contra Boca Aberta diz ter sido ameaçada de agressão
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de outubro de 2017
Luís Fernando Wiltemburg<br>Grupo Folha 
A enfermeira Regina Amâncio, autora da representação que culminou na Comissão Processante (CP) contra o vereador Emerson Petriv (PR), o Boca Aberta, diz ter sido ameaçada de agressão na manhã deste domingo (15), por duas pessoas favoráveis ao parlamentar, durante a sessão legislativa que pode culminar na cassação do mandato dele. A ameaça ocorreu quando ela subiu às galerias para acompanhar os trâmites no Legislativo, próximo a apoiadores do parlamentar não houve divisão do público. A enfermeira foi levada para outras dependências pela Guarda Civil Municipal.
O vereador é acusado de quebra de decoro parlamentar por fazer uma "vaquinha" virtual para pagar uma multa eleitoral de R$ 8 mil. A conclusão que consta no relatório da CP é que o vereador usou de inverdades para pedir dinheiro a eleitores: condenado pela Justiça Eleitoral por pedir votos em uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) durante as eleições de 2016, Boca Aberta pediu o dinheiro argumentando que era punido por "defender a população".
Às 10h43, quase três horas após o início da sessão, ainda são lidos documentos que tentam afastar a suspeição de vereadores ou a nulidade do processo, conforme tentativa da defesa.
Anteriormente, a defesa de Boca Aberta tentou afastar do julgamento que pode cassar seu mandato na manhã deste domingo (15), vereadores com quem tem ou teve rixas. A argumentação está em mais de 200 páginas, que foram lidas a partir do início da sessão legislativa a pedido do advogado de defesa, Eduardo Duarte Ferreira. Entre os desafetos estão o relator da Comissão Processante (CP), Rony Alves (PTB), Vilson Bittencourt (PSB), Júnior Santos Rosa (PSD), Jamil Janene (PP) e Roberto Fu (PDT). A defesa do vereador já havia tentado, sem sucesso, trancar a CP na Justiça.
Ao chegar à sessão com mais de meia hora de atraso, Boca Aberta chegou cumprimentou todos os vereadores, menos Rony, Vilson e Júnior.
Vestido de branco, ele acompanha a sessão ao lado de seu advogado, Eduardo Duarte Ferreira. Na sessão, serão lidas as mais de 500 páginas da investigação da Comissão Processante. O relatório final da CP, elaborado por Rony , aponta que o ato do investigado configura um procedimento incompatível com a conduta do parlamentar. Para haver a cassação, o relatório deve ser acatado por pelo menos 13 dos 19 vereadores.

Boca Aberta foi condenado e multado pela Justiça Eleitoral por fazer campanha eleitoral em uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Londrina. Porém, na internet, justificou que teria sido multado por "defender o povo". A enfermeira Regina Amâncio denunciou o vereador por estelionato à Justiça e é autora da representação que deu início à CP.
A sessão será transmitida on-line no site da Câmara.


