Curitiba - O advogado Joel Santos Filho, autor do vídeo que registrou o ex-diretor dos Correios, Maurício Marinho, recebendo propina e que deu origem à CPI dos Correios, expôs sua versão do episódio, durante o Encontro Brasileiro de Direitos Humanos uma pós-graduação em realidade, realizado ontem em Curitiba. Incomodado com as acusações de espionagem e corrupção ativa, ele disse que viu no evento a oportunidade de esclarecer o que teria acontecido de fato.
Santos Filho afirmou que a intenção inicial era desmascarar Marinho para ajudar um amigo, que era fornecedor de envelopes para os Correios e teria sido prejudicado com as constantes cobranças de propina pelo diretor. Disse que não tinha idéia de que o esquema tinha envolvimento de parlamentares. ''Minha reação foi a de qualquer cidadão comum'', disse ele, referindo-se à iniciativa de denunciar a corrupção em uma empresa pública.
Segundo Santos Filho, ele se fez passar por representante de uma multinacional, que poderia se tornar fornecedora dos Correios e estaria disposta a pagar propina para vencer as licitações. Somente na quarta vez que se encontrou com Marinho, o advogado teria conseguido fazer a gravação registrando o momento da entrega de R$ 3 mil. Santos Filho disse que havia prometido dar R$ 15 mil a Marinho como sinal da disposição de sua empresa em participar do esquema.
O dinheiro que ele entregou a Marinho, contou o advogado, seria parte do ressarcimento das despesas de viagem à Brasília, que seu amigo havia lhe adiantado. ''Eu conduzi a prova material e não tive acesso a ela'', afirmou o advogado, ao lembrar que a gravação teria sido vendida à revista Veja primeiro veículo a publicar o escândalo pela pessoa de quem ele alugou a microcâmera.
Santos Filho entregou à comissão organizadora do Encontro um documento que ele chamou de ''Carta Testamento'' com todo o relato sobre o caso. Um dos pontos que ele questiona é que, mesmo não tendo sido indiciado criminalmente nem pela Polícia Federal (PF) nem pela comissão de inquérito no Congresso Nacional, foi preso e no relatório final da CPI dos Correios não houve retratação das acusações feitas contra ele. O documento deverá constar da redação final da Carta Brasil 2006, onde serão reunidas as conclusões sobre os debates do evento.

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