O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, afastou das obras da futura sede da Procuradoria-Geral em Brasília o arquiteto Carlos Magalhães – autor das denúncias sobre suposta corrupção no empreendimento. Magalhães é representante do escritório Arquitetura e Urbanismo Oscar Niemeyer no Distrito Federal. Ele apontou detalhes de um esquema de pagamento de comissão de R$ 4,8 milhões, correspondentes a 20% sobre o valor de aditivo contratual.
A medida de Brindeiro foi criticada por Niemeyer. Em fax enviado ao procurador-geral, ele alerta para o risco de a obra ‘‘se desvirtuar completamente’’. O prédio ainda está em construção (70% da estrutura está pronta) e já consumiu R$ 58,9 milhões do Tesouro. Uma comissão de procuradores investiga a história de propina e a suspeita de irregularidades na execução do contrato com a empreiteira Serveng Civilsan - Empresas Associadas de Engenharia.
Na carta a Brindeiro, Niemeyer o chama de ‘‘prezado amigo’’ - em 1996, o chefe do Ministério Público Federal contratou sem licitação seu escritório de arquitetura para fazer o projeto do complexo de edifícios que vão abrigar os gabinetes dos subprocuradores-gerais e o setor administrativo da instituição. Brindeiro escolheu o amigo Niemeyer depois de anular processo de concorrência que havia sido feito por seu antecessor, o procurador Aristides Junqueira, para contratação do projeto das obras.
No mesmo despacho em que decretou a saída de Magalhães, o procurador-geral mandou afastar do canteiro de obras o engenheiro Marco Antônio Bichara, chefe da Assessoria de Administração de Edifícios da procuradoria. Magalhães afirma que, em maio de 1999, Bichara informou a ele durante reunião no prédio em construção sobre o esquema da comissão de 20%. O dinheiro seria repartido entre um engenheiro das obras, um procurador e um lobista de São Paulo.

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