Curitiba - Confirmando as previsões, a mensagem do governo estadual que prevê a autarquização da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) gerou a sessão mais polêmica da Assembléia Legislativa no ano. As discussões se estenderam noite adentro, e os ânimos inflamados chegaram a gerar um princípio de briga no plenário. A mensagem deve retornar hoje ao plenário para passar pela segunda votação.
O clima na Assembléia começou a esquentar ainda na parte da manhã, quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) reuniu-se para decidir sobre a legalidade do projeto. Sabendo que a comissão é formada em sua maioria por deputados de oposição, o líder do governo na Casa, Dobrandino da Silva (PMDB), havia solicitado ao presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), a transformação do plenário em comissão geral, o que dispensaria a elaboração de um relatório prévio pela CCJ. Mesmo assim, o presidente da comissão Durval Amaral (PFL) insistiu para que o relatório da CCJ fosse votado antes da sessão do plenário, no período da tarde.
A confusão na CCJ começou quando o deputado Reni Pereira (PSB) apresentou seu relatório, considerando o projeto de autarquização ilegal. Segundo Pereira, além do projeto não prever o impacto financeiro que trará aos cofres públicos, ele prevê que os atuais funcionários da empresa pública sejam contratados automaticamente pela Emater após a autarquização. Pela Constituição, os cargos em autarquias só poderiam ser providos após a realização de um novo concurso público.
Para evitar que o projeto seguisse para o plenário com um parecer de inconstitucionalidade da CCJ, os deputados aliados ao governo pediram vistas do relatório, o que causaria a retirada da mensagem da pauta da CCJ. Contrariando o regimento, Durval Amaral rejeitou o pedido, alegando que essa atitude faria com que a CCJ não pudesse se manifestar antes do plenário. Amaral acabou batendo boca com o deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB), mas manteve sua posição.
No plenário, o clima esquentou ainda mais quando representantes do poder Executivo passaram a acompanhar a votação. O deputado José Scarpellini (PSB) indignou-se com a presença do procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, e partiu para cima do ''intruso'' com o dedo em riste. ''O senhor não pode ficar aqui no plenário'', afirmou Scarpellini. Lacerda empurrou a mão de Scarpellini, e os dois começaram a se agredir. Em poucos segundos os demais deputados apartaram a briga.
Com apenas 17 votos contra 30 da base do governo, os oposicionistas realizaram manobras para impedir a aprovação do projeto. O líder da oposição Valdir Rossoni alegou que a declaração de inconstitucionalidade do projeto na CCJ impedia sua votação em plenário. ''O relatório da CCJ determina que ele seja arquivado, a não ser que o governador recorra da decisão, o que não aconteceu. Caso a Assembléia aprove mesmo assim a mensagem, vamos recorrer à Justiça para que ela anule essa lei'', alertava Rossoni.
Ao perceber que não conseguiria a maioria dos votos, a oposição passou a obstruir a votação. Cada deputado passou a ocupar a tribuna por 10 minutos para discutir sobre o projeto, em uma tentativa de vencer os governistas pelo cansaço.
Até o final dessa edição a votação não havia sido concluída. Havia chances seguras de que a bancada governista conseguiria derrubar o relatório de inconstitucionalidade de Pereira em primeira votação, fazendo com que o projeto de autarquização volte a pauta hoje para a discussão do mérito da matéria em segunda votação.

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