O presidente do PT de Londrina, Gerson da Silva, negou que o partido no Paraná esteja "desprestigiado" pela presidente Dilma Rousseff (PT). "Temos bons quadros no PT do Paraná, e posso citar o (Enio) Verri, Gleisi (Hoffmann), a Marcia Lopes, o (Jorge) Samek. Agora, a nomeação é uma opção da presidente, a partir dos apoios que teve para este mandato que vai se iniciar."
Contudo, Silva reconheceu que o desempenho ruim do partido no Paraná nas últimas eleições pode ter colocado a sigla fora do eixo das principais discussões para a nova equipe nacional. "Esse critério (da presidente) é natural e democrático levando-se em conta a votação que ela teve no Paraná, que foi realmente uma votação ruim."
O professor de Ciência Política da Uninter, Luiz Domingos Costa, lembrou que nem sempre as nomeações ou exonerações seguem os critérios políticos ou técnicos. "Tem as questões pessoais. Gilberto Carvalho (secretário-geral da Presidência), por exemplo, saiu porque brigou com a Dilma, fez críticas à campanha. Mas é um quadro muito importante dentro do PT e vai continuar trabalhando com política, articulando grupos em favor do partido." Carvalho será presidente do Conselho de Administração do Sesi.
Sem entrar no mérito da questão pessoal, Silva afirmou que "o Gilberto nunca teve uma atuação política voltada para Londrina, sempre esteve muito presente no Grande ABC, em São Paulo, com o Celso Daniel, com o Lula", o que significa, na análise do petista, que a baixa no Ministério tem pouca influência na política do Paraná.
A reportagem também tentou falar com o presidente do PT no Paraná, deputado estadual Enio Verri, mas ele não atendeu as ligações.

TUCANOS SEM EXPLICAÇÃO


O PSDB de Londrina não cobrou nem pretende cobrar explicações do governador Beto Richa (PSDB) pela ausência de representantes locais no primeiro escalão do Palácio Iguaçu. O presidente da legenda na cidade, vereador Gerson Araujo, disse à reportagem que não poderia opinar sobre o assunto porque ainda não havia sido discutido no partido. "Estamos preocupados, sim, mas o partido ainda não parou para pensar nisso", comentou ele.
Para o professor Luiz Domingos Costa, a ausência de londrinenses e de outros políticos do interior no governo estadual é natural. "O grupo que o Beto Richa representa sempre foi caracteristicamente curitibano, a elite política de Curitiba." O professor de Ética e Filosofia Política da UEL, Elve Cenci, avalia que falta maior mobilização em Londrina. "Londrina é muito fiel ao governador. Vota nele, mas não cobra a fatura depois, apontando nomes que possam compor o governo. O próprio partido poderia dizer ao Beto ‘não se esqueça da nossa fidelidade." (E.F.)

mockup