Curitiba - O segundo dia da audiência de instrução e julgamento do ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho terminou ontem com o encerramento da apresentação das testemunhas da acusação e o depoimento de duas testemunhas de defesa. No entanto, seis pessoas convocadas pela defesa do ex-deputado não compareceram ontem ao Segunda Vara do Tribunal do Júri de Curitiba para depor. Os advogados de Carli Filho têm até segunda-feira para se manifestar sobre os depoimentos dessas testemunhas.
Com a ausência das testemunhas, a audiência foi encerrada por volta das 11 horas depois do depoimento do médico neurocirurgião José Antônio Maingue, que atendeu Carli Filho no Hospital Evangélico. O médico afirmou que o ex-deputado chegou ao Pronto-Socorro em estado grave e que não pode avaliar se ele estava ou não embriagado.
O garçom Alexandre Nascimento Silva, que atendeu Carli Filho durante o jantar momentos antes do acidente, confirmou em depoimento que o ex-deputado saiu do restaurante visivelmente alcoolizado. ''Ele não estava em condições de dirigir'', afirmou.
Também depôs durante a audiência o ex-chefe de gabinete de Carli Filho na Assembleia Legislativa Heitor Francisco Isidoro. ''Foi uma fatalidade. Todo mundo está sujeito a isso'', defendeu Isidoro em entrevista à imprensa.
Um quarto depoimento estava previsto para ontem, mas o Ministério Público abriu mão da testemunha, que estava num carro no local no momento da colisão. A pessoa, que não compareceu ao tribunal, poderá ser convocada a depor caso o processo vá a julgamento no Tribunal de Júri.
Das seis pessoas que faltaram a audiência ontem, duas estariam fora do país - uma nos Estados Unidos e outra na Inglaterra. Segundo o juiz Daniel R. Surdi de Avelar, tanto a Justiça quanto o próprio advogado de defesa podem decidir abrir mão desses depoimentos caso julgue que eles não trarão informações relevantes ou que já não estejam registradas nos autos.
Outras oito pessoas que residem fora de Curitiba - todas indicadas pela defesa - ainda serão ouvidas por carta precatória.
Avelar adiantou que só após a conclusão dos depoimentos o ex-deputado deverá ser ouvido. ''Não é obrigatório que (o depoimento) seja aqui (em Curitiba)'', disse. Segundo o juiz, há a possibilidade de Carli Filho ser ouvido em Guarapuava ou de até mesmo optar por não depor.
Ontem o advogado do ex-parlamentar, Roberto Brzezinski, afirmou que seu cliente não recuperou nenhuma memória dos acontecimentos do dia do acidente. ''A memória dele está prejudicada'', disse. Segundo Brzezinski, a amnésia seria uma das razões da ausência de seu cliente, uma vez que ele não poderia contestar nenhum dos depoimentos. O advogado afirmou que Carli Filho está em Guarapuava. ''Tenho passado para a família as informações da audiência'', contou.

Polêmica
Brzezinksi criticou o também advogado Elias Mattar Assad, que atua como assistente da acusação, por ter divulgado que a Justiça havia determinado uma nova perícia no computador que registrou imagens das câmeras de segurança de um posto de gasolina na noite do acidente. Segundo o advogado de Carli Fiho, o juiz ''determinou que o técnico tivesse acesso'' ao equipamento, e não se manifestou sobre a perícia.
Já o próprio juiz Avelar explicou que seu despacho garantiu o acesso da acusação ao computador. ''Mas isso não significa que a perícia seja realizada nem que eu vá aceitá-la como prova nos autos'', adiantou.
Em resposta, Assad afirmou que o ''espaço da defesa é sagrado''. ''Mas há um inquérito policial aberto para investigar a adulteração das imagens'', disse. O inquérito, que tramita na Delegacia de Delitos de Trânsito de Curitiba, foi aberto na ocasião em que o inquérito do acidente foi concluído. O objetivo da investigação é verificar se houve alteração das imagens gravadas no momento do acidente.

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