Ausência de Itamar em Furnas frustra tropa
Ivana Moreira
Agência Estado
De Capitólio
A ausência do governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), na operação militar em Furnas provocou ontem frustração na tropa de 2,5 mil homens acampada na região. Como mentor das manobras, era de se esperar que ele viesse, reconheceu um tenente do Batalhão de Missões Especiais, que pediu para não ser identificado. O grupamento, acampado no dique de retenção da Represa de Furnas, havia preparado a encenação de uma explosão à beira da barragem para apresentar ao governador.
As manobras na região fazem parte da estratégia de marketing do governador contra a privatização da hidrelétrica. Mas, só pela manhã, por meio dos jornais, os policiais envolvidos da operação tiveram a confirmação de que Itamar não apareceria ontem em Capitólio, região onde estão concentrados os treinamentos militares. A explosão que estava programada para o dia da visita de Itamar foi adiada para a manhã de amanhã, último dia do exercício. O lugar também foi mudado. Não será mais no dique e sim no acampamento à margem da rodovia MG-050.
Só havia sentido fazer no dique se o governador viesse, admitiu o comandante da operação, coronel Ari de Abreu. A barragem impede que as águas do Rio Grande escoem para o Rio Piumhi e de lá para o Rio São Francisco. Itamar chegou a ameaçar romper o dique e comprometer o potencial hidrelétrico da represa caso a privatização da estatal seja concretizada.
A explosão no dique faria parte da encenação de uma ação anti-sequestro, com a dinamitação de um casebre de madeirite construído no dique. Com o cancelamento desta apresentação, um exercício semelhante será apresentado no acampamento. Queremos que a tropa assista, afirmou Abreu, justificando a mudança de lugar. Além dos PMs, prefeitos e autoridades dos nove municípios envolvidos na operação foram convidados a assistir ao show que encerrará as manobras.
Se a convocação dos militares para o exercício em Furnas provocou a irritação de muitos deles, a decisão de Itamar de não prestigiar as manobras só fez acirrar o descontentamento. Quando foram obrigados à realização do treinamento na região, os PMs sentiram-se usados como instrumentos de marketing. Mais uma vez muito embora o discurso oficial do comando seja outro, o sentimento foi o de estar sendo usado para satisfazer interesses políticos do governador.
Claro que gostaríamos da presença do governador, disse o comandante. Mas não há este tipo de frustração não. Segundo ele, com ou sem a presença de Itamar Franco, o objetivo do comando da corporação é realizar um bom treinamento e deixar uma boa imagem nas comunidades envolvidas na operação.
Enquanto parte da tropa realiza exercícios militares no acampamento, outra parte faz blitze e ações comunitárias atendimento médico, emissão de documentos e recreação infantil na região. Um questionário de opinião sobre a operação começará a ser aplicado na quarta nas cidades.
De acordo com o comando, as perguntas dizem respeito apenas à ação comunitária da PM e não têm qualquer relação com a questão da privatização de Furnas. A PM não é uma instituição política para fazer isso, argumentou Abreu. Outra pesquisa de opinião sobre o treinamento será feita junto aos policiais. A operação que teve início na manhã de segunda-feira está custando ao Estado cerca de R$ 450 mil.





