Ausência de Barros pode complicar os denunciados
Se pelo Ministério Público (MP) as investigações começam a centralizar na figura de um vereador, na Comissão de Ética da Câmara, a ausência de Henrique Barros (sem partido) ao depoimento marcado para ontem ''deve complicar a situação'' dos quatro denunciados pela promotoria por crimes de concussão e formação de quadrilha. A avaliação é do presidente da comissão, vereador Roberto Kanashiro (PSDB), após registrar em ata, ontem, o não comparecimento de Barros. Para o próximo dia 8, estão previstas as oitivas dos empresários Carlos Messas, Alexandre Guimarães e Maurício de Biagi, que, ao MP, relataram ter pago propina para ter aprovados projetos de seu interesse.
Sobre o 'fator complicador' para Orlando Bonilha (PR), Renato Araújo (PP) - ambos já apresentaram defesa por escrito à comissão -, Osvado Bergamin (PMDB) e Flávio Vedoato (PSC), apontados por Barros ao MP como integrantes de um esquema ilícito de arrecadação, Kanashiro explicou: ''Como o ex-vereador não veio confirmar ou negar aquilo que disse em depoimento à Promotoria, para nós é aquilo que, em princípio, está valendo. Vindo, diria até que ele poderia atenuar a questão apresentada junto ao MP - por isso coloca os quatro em uma situação difícil'', opinou.
Por outro lado, de acordo com o vereador, a ausência de Barros e possivelmente dos empresários, no próximo dia 8, pode comprometer o julgamento político dos denunciados - contra os quais não há, por ora, provas materiais. E se a Justiça concluir antes ou depois dos trabalhos da comissão - cujo prazo expira em 22 de março - que houve crime? ''Mesmo que a comissão não possa ser conclusiva no sentido de indicar penalidade ou infração maior no encerramento de seus trabalhos, se na Justiça houver a apresentação dos fatos e a condenação, isso com certeza reabre o processo na Câmara''. (J.G.)





