Os vereadores de Apucarana concluíram ontem as votações necessárias para revogar a lei que, aprovada no final do ano passado, aumentou os salários dos parlamentares, do prefeito, do vice-prefeito e dos secretários do município. O primeiro turno da votação aconteceu em sessão ordinária, na segunda-feira última. Já o segundo turno de votação ocorreu em sessão extraordinária, na quarta-feira. O último turno foi realizado ontem pela manhã, também em sessão extraordinária. Os vereadores foram unânimes na aprovação da revogação da lei e também na redução do salário para o chefe do Executivo e vice.
A lei que gerou protestos de setores da sociedade, atraindo a atenção do Observatório Social de Apucarana (OSA), foi aprovada em dezembro último, em apenas três dias. A lei aumentou o salário dos vereadores da próxima legislatura, de R$ 6,7 mil para R$ 10 mil; o salário do prefeito, de R$ 22,9 mil para R$ 25 mil; do vice-prefeito, de R$ 10 mil para R$ 15 mil; e de secretários municipais, de R$ 6,7 mil para R$ 9,2 mil.
Após abaixo-assinados entregues na Casa - com mais de nove mil assinaturas - e manifestações durante as duas primeiras sessões legislativas deste semestre, a Mesa Executiva da Câmara se reuniu com lideranças religiosas e resolveu fazer o projeto para revogar a lei e ainda diminuir o salário anterior já fixado para prefeito e vice.
Com a nova lei, que deve ser publicada no Diário Oficial de hoje do município, os salários voltaram para o valor de R$ 6,7 mil para vereadores e secretários municipais. Já o salário do prefeito foi reduzido em 21,4%, ficando em R$ 18 mil. O do vice foi reduzido em 10%, ficando em R$ 9 mil.
O presidente da Casa, vereador Alcides Ramos, alegou que não imaginava que o aumento geraria tanta polêmica. ''Fizemos em dezembro o que historicamente as legislaturas faziam, que era fixar o salário do vereador para a próxima legislatura em 50% do que recebe hoje um deputado estadual. Isso está previsto em lei, então nunca imaginamos que haveria essa polêmica.'' Ramos afirmou, porém, que após as manifestações os vereadores acharam melhor revogar a lei. ''Depois de conversarmos, decidimos ouvir a cidade. Já tínhamos feito isso quando a sociedade pediu para não aumentar o número de vereadores, então estamos fazendo o que a cidade pediu'', ressaltou.
O representante voluntário do OSA, professor José Aparecido Bacarin, informou que a entidade esteve presente nos três turnos de votação do projeto. ''Quem ganhou com essa votação foi o povo, a própria Câmara, a democracia. Os vereadores ainda saem fortalecidos dessa votação, porque repensaram uma decisão que já tinham tomado e ouviram a sociedade.''

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