Votação na Câmara mobilizou a população do município de 45 mil habitantes no Norte Pioneiro: presidente da Casa diz que salário de R$ 998 era motivo de piada
Votação na Câmara mobilizou a população do município de 45 mil habitantes no Norte Pioneiro: presidente da Casa diz que salário de R$ 998 era motivo de piada | Foto: Sérgio Ranalli/19-07-2015

O salário dos nove vereadores de Santo Antônio da Platina virou tema de discórdia no município do Norte Pioneiro. O motivo é tentativa dos membros do legislativo em elevar os rendimentos ao patamar que era pago em 2016 somado à correção do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

A primeira votação foi em uma sessão tumultuada na noite de segunda-feira (24), quando ficou decido por cinco a quatro que os subsídios passariam dos atuais R$ 998,00 para R$ 4.250 a partir de janeiro de 2021, para a próxima legislatura.

Um outro projeto que está sendo apreciado e pretende aumentar de nove para 13 cadeiras na Casa foi retirado de pauta por duas sessões. A segunda votação para decidir sobre o aumento está prevista para a próxima quinta-feira (27).

“Na verdade, não estamos votando um aumento, estamos retomando ao que era ao salário antes. Fica muito difícil fazer um trabalho decente com esse valor. Na Câmara não há assessores, não temos carros. Já trabalhamos com muita economia”, defende o presidente da Casa, o vereador Odemir Jacob (PHS), que votou pelo desempate da questão salarial. Ao fim da sessão, os membros do legislativo municipal precisaram deixar o local sob a proteção policial, tamanha era a revolta da população.

Os vereadores da legislatura anterior tentaram em 2016 aumentar o salário para R$ 7.500, mas uma enorme reação da população fez com que eles recuassem e passassem o subsídio para o valor de um salário mínimo. O presidente acredita que essa discussão mais cedo ou mais tarde voltaria à tona. “Vou assumir as consequências de trazer esse assunto, mas minha intenção é colocar um ponto final nesta questão. O ideal seria ter a participação popular, mas não pode um grupo de 120 pessoas falar por uma cidade que tem 45 mil habitantes.

Recebi apoio de muitas pessoas que entendem que a remuneração pelo trabalho tem de ser justa”, afirmou Jacob. A proposta inicial aumentaria o salário do prefeito José da Silva Coelho Neto, o Professor Zezão (PHS), dos atuais R$ 12 mil para R$ 18 mil, mas o chefe do executivo recusou. Durante toda sessão o público vaiou os vereadores favoráveis ao aumento de subsídios, enquanto uma pequena parcela apoiava os que se posicionaram pela aprovação dos novos subsídios.

PIADA

As opiniões sobre o reajuste dividiram os membros da Câmara. Além do presidente, Luiz Flávio Reinutti Maiorky (PSDB), Genivaldo Marques (PSDB), Rudinei Benedito Esteves (MDB) e José Jaime Paula Silva (PSDB) votaram a favor do aumento. Já Mirian Rodrigues Bonomo Montanheiro (Podemos), Luciano de Almeida Moraes (PTB), Jefferson Vernier (PHS) e Edson Muniz Gonçalves (PHS) foram contrários.

“Não estou preocupado com reeleição, apesar de pensar em candidatar. Venho trabalhando, fiscalizando, ajudando a população, mas a verdade é que esta questão do salário já tornou a Câmara de Santo Antônio da Platina um motivo de piada. Isso não pode continuar”, explicou Jacob. A FOLHA procurou os vereadores que votaram contrário ao aumento, mas até o fechamento desta edição não conseguiu retorno.

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