Curitiba - Os deputados da base governista estão relutando em assumir um ônus político que consideram caber ao Poder Executivo: o aumento dos salários dos 26 secretários de Estado. O projeto, assinado pelo líder do PMDB, Antonio Anibelli, aliado do governador Roberto Requião (PMDB), está emperrado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na sessão de anteontem, a liderança do governo na Assembléia tentou aprovar requerimento transformando a matéria em regime de urgência, o que também saiu frustrado.
Além desse projeto, que eleva o salário dos secretários de R$ 6 mil brutos para no mínimo R$ 12 mil, outros dois temas contribuíram para que a reunião da CCJ de ontem não ocorresse, por falta de quórum.
Um deles é a mensagem do governo do Estado que autoriza o Poder Executivo a aumentar sua participação no capital social da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) em aproximadamente R$ 360 milhões. O outro é um projeto do deputado Nereu Moura (PMDB), que permite à Companhia Paranaense de Energia (Copel) comprar os 30% de participação que o grupo Triunfo tem nas Centrais Elétricas do Rio Jordão (Elejor), ainda em construção. Para esses dois projetos, não há consenso.
A versão oficial para que a reunião da CCJ não acontecesse é que a Sala das Comissões estava ocupada. A explicação é do presidente da CCJ, Hermes Fonseca (PT). Isso porque a CPI do Porto, comandada por Valdir Rossoni (PSDB), ouvia depoimentos no local e não se retirou da sala.
Nos bastidores, porém, os deputados da base aliada reclamam do desgaste político que o aumento dos secretários pode trazer, já que o veto parcial do governador ao Plano de Cargos e Salários dos professores também aguarda votação no plenário. Requião vetou o pagamento retroativo a fevereiro dos aumentos, alegando que isso extropolaria os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Se houver quórum, o reajuste do primeiro escalão volta à pauta da CCJ na próxima terça-feira. Os deputados Tadeu Veneri (PT) e Jocelito Canto (PTB) prometem entregar pareceres em separado do relator, Mário Sérgio Bradock (PMDB). Veneri e Canto dizem que, sem um relatório de impacto financeiro, a Assembléia não deve aprovar o aumento. O projeto de Anibelli não traz número algum. Mas segundo o Palácio Iguaçu o aumento consumirá R$ 127 mil por mês a mais. Veneri vai votar pela devolução do projeto a Anibelli, para que ele acrescente os dados.

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