Aumento do PIB depende de ajustes
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de janeiro de 2001
Lu Aiko Otta e Leandra Peres Agência Estado De Brasília 
O País precisa de reformas microeconômicas para que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresça de forma sustentada, disse o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo. Diferentemente dos últimos anos, quando a área econômica do governo dedicou-se integralmente a apagar incêndios na economia nacional, 2001 será dedicado a ajustes pontuais, como alterações na legislação de falências, novas regras para as empresas de sociedades anônimas e a reforma tributária. São esses ajustes que darão mais produtividade à economia nacional e fornecerão combustível para que o PIB continue crescendo sobre uma base sólida.
Um estudo feito pelos técnicos do BC mostrou que, se tudo continuar como está e o País não registrar ganhos de produtividade, o PIB só poderá crescer em torno de 4,5% ao ano sem ameaças por problemas como a volta da inflação.
O estudo conclui que o PIB atual está colado na taxa de crescimento potencial da economia, o que quer dizer que se na situação atual há pouco espaço para acelerar o crescimento. Por isso, são necessárias mudanças que permitam, por exemplo, o barateamento do crédito para as empresas. Isso abriria espaço para uma maior expansão econômica. O grande ganho que aconteceu na economia americana, mais do que em qualquer outra economia, foi esse, disse o diretor.
De acordo com Figueiredo, dois conjuntos de questões devem ser trabalhados: melhorar a qualidade do gasto e aumentar a competitividade das empresas. Estamos trabalhando num projeto para mudar a lei de falências. O crédito com garantia é mais barato, mas no Brasil eles não passam de 20% do total emprestado. Aqui, a garantia vale pouco, porque se a empresa quebra, a garantia vai para a massa falida e o banco pode levar anos para recebê-la, constata o diretor.
Outro ponto abordado por Figueiredo é a reforma tributária. O governo vai, sim, fazer uma ofensiva forte na reforma tributária este ano. A reforma vai avançar, apesar do ceticismo. Querem apostar? Se até o final do ano, não tivermos pelo menos uma unificação do ICMS, eu pago um almoço, aposta.
Na visão do Banco Central, a CPMF atrapalha o desenvolvimento do mercado de capitais, aumenta o custo da intermediação financeira, encarece o custo da empresa. Nossa visão é que a CPMF atrapalha, embora não seja decisiva. A CPMF é um ótimo imposto do ponto de vista da arrecadação, inclusive porque atinge o setor informal, mas tem uma série de efeitos colaterais. A questão é tentar avançar o mais rápido possível para a CPMF não ser mais problema.
Apesar da unificação das atividades da Secretaria de Previdência Complementar (SPC), Susep, CVM e Banco Central, na Agência de Fiscalização, a verificação, no tocante a risco sistêmico, continua no BC.


