As propostas apresentadas até agora pelo governo para financiar o reajuste do salário mínimo repetem o mesmo vício dos ajustes feitos até hoje nos gastos públicos: sem cortar despesas, o governo propõe mais uma vez que o aumento dos gastos seja financiado com mais impostos. Na opinião de especialistas, essa saída, além gerar uma distorção ainda maior no já confuso sistema tributário brasileiro, piora a situação da Previdência Social, uma vez que as reformas necessárias para equilibrar o sistema deixam de ser feitas já que o problema do financiamento fica aparentemente resolvido.
O ex-presidente do Banco Central (BC), Gustavo Loyola, considera que ‘‘a discussão (sobre as fontes de financiamento do mínimo) está toda do avesso e o governo está arriscando ter um descontrole nas contas públicas, uma piora no sistema tributário ou um desgate político muito grande’’. Também ex-presidente do BC, Gustavo Franco reforça a avaliação de Loyola. ‘‘Não tem como buscar receitas tributárias para resolver um problema que é da Previdência’’, disse.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, ‘‘até aceita a crítica’’, mas lembra que a margem de ajuste nas despesas do governo é pequena em relação ao gasto total.

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