Curitiba - Mais um dia de estresse no plenário da Assembléia Legislativa. O líder do governo na Casa, Natálio Stica (PT), e o presidente estadual do PT, André Vargas, se exaltaram ontem por causa do projeto que dobra o salário dos secretários de Estado. Anteontem, foram os deputados Carlos Simões e Jocelito Canto, ambos do PTB, que bateram boca por causa do suposto acordo financeiro entre PTB e PT denunciado pela revista Veja.
No início da sessão de ontem, André Vargas usou a tribuna para explicar que, em vez de a Casa aprovar o aumento para os secretários, o governo do Estado deveria mandar uma mensagem reorganizando todos os cargos em comissão, especificando os salários desses cargos. Vargas havia preparado anteontem um requerimento pedindo a retirada do projeto por dez sessões, pois sabe que o arquivamento do projeto é improvável. Mas o requerimento não foi votado nem anteontem nem ontem por falta de quórum. Dos 28 necessários para votação, apenas 19 parlamentares estavam presentes. Pelo mesmo motivo, nem o projeto foi votado, e só volta à pauta no dia 5 de outubro.
Após o pronunciamento de Vargas, Valdir Rossoni (PSDB), da oposição, disse que Vargas (que oficialmente também é da base governista) e Stica deveriam conversar, pois Stica defende a votação do aumento. Nesse momento, Stica e Vargas já estavam conversando, do outro lado do plenário. Vargas saiu de perto de Stica enquanto Rossoni falava. Stica saiu logo em defesa do projeto.
''Vamos votar com transparência'', disse Stica. Exaltado, Vargas saiu com esta: ''Tem gente cujo coração já não é mais da velha luta''. E criticou o projeto, dizendo que ele deveria ter sido encaminhado pelo governo e não assinado por um deputado (no caso, Antônio Anibelli, do PMDB).
Stica classificou o episódio como bobagem, e disse que continuará fazendo seu papel. Afirmou que o debate no plenário é importante. ''Eu poderia ter esvaziado a sessão para debates, mas não fiz isso, nós queremos a discussão.''

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