Nova Délhi- A Índia e o Paquistão se aproximam cada vez mais de uma guerra aberta, à medida que os seus governos elevam o tom e mobilizam tropas, tanques, artilharia pesada e caças ao longo da fronteira. Nova Délhi lançou uma ofensiva diplomática na semana passada, ao chamar de volta o seu embaixador em Islamabad e ao cancelar os serviços de trens e ônibus entre a paquistanesa Lahore e a capital da Índia.
Os indianos exigem que o Paquistão tome medidas contra o Lashkar-e-Toiba (Soldados de Deus) e o Jaish-e-Mohammed (Exército de Mahoma), dois grupos separatistas da Caxemira estabelecidos em território paquistanês e acusados do ataque de 13 deste mês contra o Parlamento indiano, em que morreram 14 pessoas, incluídos os cinco terroristas suicidas. O Paquistão congelou os ativos financeiros do Lakshar-e-Toiba e prendeu o líder do Jaish-e-Mohammed, Maulana Massood Azhar, mas a Índia considerou insatisfatórias tais medidas.
Em resposta ao deslocamento de mísseis por parte do Paquistão na fronteira comum, o ministro de Defesa da Índia, George Fernandes, disse que ''os sistemas de mísseis da Índia estão ativados''. Em meio a atitudes patrioteiras, surgiram rumores sobre a mobilização dos mísseis com capacidade nuclear Hatf, do Paquistão, e Prithvi, da Índia, embora nenhum dos dois países tenha colocado neles ogivas nucleares.
Índia e Paquistão, surgidas como nações separadas na independência do Império Britânico, em 1947, promoveram duas guerras abertas, em 1965 e em 1971, e uma não declarada em 1999, em disputa do território da Caxemira, o único Estado indiano com maioria muçulmana. A distância estratégica entre os dois países é muito pequena. Um míssil pode alcançar qualquer das cidades fronteiriças entre três e oito minutos de vôo. Uma guerra convencional os levaria inexoralvemente a uma conflagração nuclear, como uma tragédia grega em que os personagens não têm controle sobre os seus próprios atos.
Preocupação A União Européia (UE) expressou ontem sua ''grande preocupação'' com o aumento da tensão entre Índia e Paquistão, e solicitou a Islamabad que aplique ''as mais firmes medidas'' em relação aos responsáveis pelo recente atentado contra o parlamento indiano.
''A UE expressa sua grande preocupação no que diz respeito à evolução das relações entre Índia e Paquistão'', afirma um comunicado da presidência belga da União Européia.
''A UE recorda que julga indispensável que o Paquistão adote as mais firmes medidas para acabar com as ações dos grupos terroristas responsáveis pelo atentado de 13 de dezembro contra o parlamento indiano.''
O grupo dos Quinze pediu à Índia e ao Paquistão que ''evitem que a situação piore'' e também para que os dois países resolvam a crise atual ''por meios pacíficos''.

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