O retorno às aulas dos mais de 30 mil estudantes de escolas municipais, nesta segunda-feira, convive com um problema que se arrasta desde o início da terceirização do preparo da merenda escolar, em 2006: as denúncias de má qualidade dos alimentos. Na última sexta-feira, o Conselho Municipal de Alimentação Escolar (CAE) protocolou pedido de fiscalização da empresa SP Alimentação, que fornece as merendas, por suspeita de que a carne distribuída às escolas poderia estar estragada. Na quarta-feira, a presidente do CAE, Andreliane de Godoy, e a fiscal da Secretaria Municipal de Gestão Pública, Cassinéia Caberlin - responsável pela gestão do contrato com a SP -, foram até a sede da empresa, na zona sul, e constataram indícios de má conservação dos alimentos - além da aparência ruim da carne. Também foram encontrados no contêiner refrigerado requeijão e bebida láctea com prazos de validade vencidos.
''As aulas nem começaram e a diretora de uma escola já reclamou da qualidade da carne. Fomos até a empresa e havia sangue escorrido em volta do contêiner, indicando que ele ficou desligado um tempo. Além disso, havia alimento com prazo vencido misturado com os outros'', explicou. ''O pessoal da empresa não queria deixar a gente entrar, mas com insistência, conseguimos. Só que não tinha luz lá dentro e no final a fiscalização ainda ficou a desejar.''
Na quinta-feira, o CAE elaborou um relatório da vistoria e no dia seguinte protocolou o documento na prefeitura, na Câmara Municipal e na Vigilância Sanitária. Fotos anexadas ao relatório retratam corrimento de sangue no conteiner, alimentos descongelados e com prazo de validade vencido, aparência escura da carne e produção de espuma durante o cozimento. De acordo com Andreliane, a fiscalização da qualidade da merenda escolar ''está deixando a desejar''.
A fiscal do contrato confirmou a ''aparência escura'' da carne, mas disse que precisa de um laudo técnico para comprovar sua qualidade. Sobre os alimentos com prazo vencido, ela contemporizou. ''O fato de estar lá não significa que vão ser servidos'', disse. ''Eu fiscalizo o que está no contrato: se eles colocarem na mesa do aluno é que eu vou autuar.'' Cassinéia afirma que solicitou à Vigilância Sanitária que acompanhasse a fiscalização, mas não obteve retorno (leia box) - o que, segundo ela, dificulta a comprovação de irregularidades.
A SP Alimentação defendeu a qualidade dos alimentos. ''Essa carne já foi objeto de denúncia por conta da coloração, mas a UEL atestou que ela está própria para o consumo'', afirmou a coordenadora regional da empresa, Tereza Cristina Thomazin. De acordo com ela, a carne - fraldinha de diafragma (bovina) -, foi retirada da escola onde houve reclamação, mas será servida nas demais unidades. Questionada se é um alimento saboroso, respondeu: ''Se a carne é saborosa? Eu não experimentei''.
Sobre os alimentos vencidos, ela afirmou que estavam separados para descarte. ''Temos que esperar o fornecedor recolher porque se jogamos no lixo e alguém consome pode dar problema.'' Segundo ela, o corrimento de líquido ao lado do contêiner ocorreu após limpeza no dia da vistoria.

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