Uma comissão técnica formada por representantes das secretarias Estadual e Municipal da Saúde, Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, conselhos Estadual e Municipal de Saúde, Controladoria do Município e Universidade Estadual de Londrina (UEL) realizará, nos próximos meses, um levantamento do contrato que estabelece repasses de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) para o Hospital Universitário (HU) de Londrina. Segundo anúncio do prefeito Barbosa Neto (PDT), em entrevista coletiva em seu gabinete, na manhã de ontem, a auditoria pretende apontar uma solução para a dívida existente entre o Fundo Municipal de Saúde e o HU, que hoje está acumulada em R$ 13 milhões.
Conforme o reitor da UEL, Wilmar Marçal, a dívida existe desde 2001, mas aumentou consideravelmente nos dois últimos anos, comprometendo o funcionamento do hospital, que atende mais de 70 municípios da região. ''Este dinheiro poderia ser usado na reforma da ala masculina do hospital, que até já chegou a ficar sem material de consumo'', alegou Marçal.
Ainda segundo ele, essa comissão técnica interinstitucional deverá apontar o porquê da demora no repasse e se será necessária uma ação política para requisitar um aumento no valor do teto pago atualmente pelo SUS. Após concluído o levantamento, os resultados serão encaminhados ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado e da União.
''No início, a dívida era de R$ 16 milhões, dos quais a atual administração já pagou R$ 3 milhões. Nossa meta é extinguir o débito, mesmo sabendo que o Município não tem como pagar'', garantiu Barbosa Neto, reforçando que um ofício pedindo a indicação dos representantes que farão parte da comissão já foi enviado às instituições, que devem apresentar os primeiros resultados da auditoria em 15 dias. ''É um trabalho com duração de três a seis meses.''
Desde o ano passado, a universidade tenta negociar com a Prefeitura para evitar que a situação se agrave ainda mais. Segundo o superintendente do HU, Francisco Eugênio, hoje, o contrato de repasse de verbas da União para o hospital respeita prazos: ''HU tem 30 dias para informar o SUS sobre o procedimento realizado e a Secretaria Municipal de Saúde tem mais 30 dias para repassar a verba''.
De acordo com o secretário de Saúde de Londrina, Agajan Der Bedrossian, o Ministério da Saúde tem repassado os recursos regularmente, mas o problema é administrativo. ''Estamos tentando manter em dia os repasses enquanto levantamos o que ocorreu no passado. Espero que não tenha atrasos, mas a dívida do SUS envolve vários serviços, não só o HU.''
Sobre o impasse no aumento da tarifa dos ônibus, Barbosa Neto repetiu que vai aguardar a apresentação do relatório final da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Câmara que analisa a planilha, para se posicionar.
''Democraticamente tenho respeitado a Comissão. Poderia ter dado aumento lá atrás, mas prefiro aguardar o que diz a Câmara, que para mim dará uma contribuição interessante para a discussão do valor da tarifa, que é uma questão técnica e não política'', disse o prefeito, assinalando que os estudos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) ainda não foram concluídos.
''Acredito que o relatório da CEI pode ser analisado pela CMTU, pois existem alguns pontos que pedem a diminuição da tarifa que devem ser desprezados porque não aparentam estar corretos'', completou Barbosa Neto. Para ele, mesmo com a ameçada de greve dos motoristas e cobradores, ainda não há nada que possa influenciar a ordem pública e os usuários, ''mas é uma irresponsabilidade falar em transporte alternativo''. ''Vamos agir de forma técnica para garantir o equiílibrio financeiro do Município.''

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