Auditoria revela rombo de R$ 8 mi em Foz
O ex-prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), e parte de sua equipe de governo foram acusados ontem de montar um suposto esquema de desvio de dinheiro da prefeitura, que teria deixado um rombo de R$ 8 milhões nos cofres públicos. A denúncia foi feita pela comissão de sindicância da atual administração, que trabalhou durante dois meses investigando as contas do município.
O valor do desvio é resultado de uma apuração inicial, alertou a presidente de comissão de análise das contas públicas, Maria Letizia Jimenez Abbate Fiala, que é também secretária da Controladoria, Licitações e Gestão Fiscal. A sindicância tomou como base os contratos firmados em 1999 e 2000.
A comissão encontrou indícios de irregularidades em 41 contratos, de um total de 101 analisados. Nos firmados com empreiteiras existem indícios de que obras, compras e serviços foram fragmentados para que seus valores finais não superassem os limites de dispensa para realização de licitações. O sistema permitiu a participação constante de apenas algumas empresas, afirmou o prefeito Sâmis da Silva (PMDB), frisando que algumas empresas não prestaram os serviços pelos quais haviam recebido.
O relatório aponta ainda irregularidades nas contratações através de recibos de pagamento de prestação de serviços (RPS). Durante a administração de Daijó (1997-2000), foram contratadas 1.462 pessoas por meio dessa modalidade. Vários deles eram parentes de ocupantes de cargos do primeiro e segundo escalões. Um assessor da secretaria de Sa© úde, por exemplo, ingressou na prefeitura recebendo R$ 681,00 e encerrou o mandato com uma remuneração de R$ 5 mil, valor superior ao salário de um secretário.
Os dois primeiros anos do mandato de Daijó não foram investigados porque o sistema contábil foi alterado no final de 1998, o que teria impossibilitado o acesso às informações nesse período, alegou o prefeito Sâmis da Silva. Segundo ele, durante a auditoria ficou a impressão de que muitos documentos foram queimados. Para o prefeito, o esquema descoberto era uma indústria de licitações parecida aos desvios feitos por (Luis Antônio) Paolicchi. Ele se referia ao ex-secretário da Fazenda da Prefeitura de Maringá, acusado de desvios que podem chegar a R$ 100 milhões.
Diante dos números, a presidente da sindicância solicitou mais 60 dias para a conclusão da investigação. O prazo havia terminado na semana passada. O pedido foi justificado pelo envolvimento de todas as secretarias e das entidades da administração indireta, resultando num dossiê de mais de três mil páginas, por enquanto.





