A Auditoria da Prefeitura de Londrina apontou diversas irregularidades na Autarquia de Serviços Funerários (Acesf), entre 1998 a 2000, que teriam causado um prejuízo de até R$ 250 mil. A maioria das licitações e contratos tidos como irregulares ocorreu durante a administração de Gustavo Santos, que não foi localizado pela reportagem.

O auditor Osvaldo Alves de Lima, que divulgou ontem o trabalho na Acesf, pediu uma sindicância para apurar eventuais irregularidades no fornecimento de refeições a funcionários e outra sobre a compra de flores sem licitação. Ele informou que os gastos mensais com flores eram de R$ 15 mil, porém nesta administração foram reduzidos para R$ 10 mil.

Outro questionamento é o contrato para a locação de três veículos Uno e duas Kombi da Francisco Francovig Ltda, no valor de R$ 143 mil. ''Eles poderiam ter comprado os veículos com o dinheiro investido em locação'', afirmou o auditor. Uma das duas participantes da licitação apresentou certidão fria do INSS. O diretor-operacional da Francovig, Walter Menegazzo, informou que os serviços foram prestados.

Ainda de acordo com a auditoria, a Acesf contratou, sem licitação, serviços de pavimentação no valor de R$ 24,6 mil. Outro erro foi a compra de caixões para enterros (acima de R$ 80 mil anuais), que seguiu a modalidade de carta-convite, quando deveria ser por tomada de preços.

A auditoria descobriu também que, entre março de 98 a maio de 99, o suplente de vereador do PSB Jurandir Totti pagou 55 funerais, emitindo dois cheques sem fundo no valor de R$ 36,6 mil. O município está movendo uma ação na 4 Vara Cível contra Totti, mas ele não teria bens para ressarcir a Acesf. Ele não foi encontrado pela reportagem.

Nos últimos cinco anos, a Acesf teria acumulado um prejuízo de R$ 65 mil, comprando caixões a prazo pagando 7% mais caro do que à vista, mesmo tendo dinheiro em caixa. Também ficou constatada a falta de controle nos estoques de urnas e no recebimento de cheques pré-datados.

A atual superintendente da Acesf, Cláudia Prochet, disse que está havendo um controle maior dos serviços, a funcionária que fazia compra de flores e alimentos foi afastada e não há mais locação de veículos.

Também faz parte do relatório a licitação para instalar um software, vencida pela Celta System, empresa do delegado Regional do Trabalho, Celso Costa. De acordo com Cláudia, o softwere não chegou a funcionar. Costa não foi encontrado. O relatório será enviado ao Ministério Público.

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