Auditoria recomenda demissão de Pavan
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quarta-feira, 29 de agosto de 2001
Lino Ramos<BR>De Londrina 
A presidência da Sercomtel analisa um parecer da auditoria da Prefeitura de Londrina, recomendando a demissão, por justa causa, do ex-presidente da empresa Rubens Pavan. Um dos motivos seria uma operação de 1998, quando o ex-presidente recebeu R$ 50 mil da empresa ''para tratar de assuntos estratégicos.'' Pavan teria devolvido os recursos, mas sem os juros necessários. A Folha apurou que o documento da auditoria foi entregue em julho e que a operação feita por Pavan teve parecer contrário do Tribunal de Contas.
O atual presidente da companhia telefônica, Francisco Roberto Pereira, não foi encontrado para comentar o assunto, pois está em licença médica e impossibilitado de falar. O prefeito Nedson Micheleti (PT) afirmou que não tem conhecimento do assunto e aguardar a recuperação de Pereira para se informar.
Segundo o vice-presidente da Sercomtel, Paulo Cezar da Silva Machado, o assunto não foi tratado pelo Conselho de Administração da empresa ou nas últimas reuniões de diretoria. ''Não foi tratado em momento algum, se existe eu desconheço.'' Machado afirmou que, caso o assunto tenha sido tratado dentro da prefeitura, a orientação pode ter sido dirigida especificamente ao presidente da empresa.
O auditor Osvaldo Alves de Lima evitou falar sobre o teor do parecer. Ele também desconversou sobre o pedido de demissão de Pavan. ''Vamos aguardar uma posição do presidente da empresa'', alegou. Segundo uma fonte consultada pela Folha, no parecer também existe o pedido de demissão de outros funcionários da empresa.
A auditoria da prefeitura já apontou diversas irregularidades que teriam sido cometidas durante a gestão de Pavan na presidência, entre elas a contratação de funcionários sem concurso público, pagamentos de rescisões trabalhistas a pessoas em cargos comissionados, além da contratação de serviços advocatícios considerados irregulares (sem licitação).
Pavan é réu no escândalo AMA-Comurb desvios de recursos da prefeitura, que estão sendo investigados pelo Ministério Público. No início de maio, ele acabou ficando recolhido em seu apartamento, em cumprimento a uma ordem de prisão domiciliar. Ele foi preso em São Paulo, após a Justiça decretar sua preventiva, do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) e de outros réus. Pavan obteve o benefício da prisão domiciliar alegando que recentemente havia sofrido uma cirurgia cardíaca.
Para o advogado de Pavan, Gilberto Baumann de Lima, não existem motivos que justifiquem a demissão de Pavan. ''Seria necessário uma razão muito forte e as acusações não são suficientes. Seria necessário uma condenação com trânsito em julgado e os processos estão no início'', analisou.
De acordo com Baumann, Pavan é funcionário da Sercomtel há mais de 20 anos e tem o benefício da estabilidade no emprego. ''Nenhuma demissão pode ocorrer sem um procedimento administrativo com direito a defesa'', argumentou o advogado.
Baumann foi um dos advogados contratados pela Sercomtel sem que houvesse licitação. Segundo ele, os tribunais de todo o país entendem que a contratação de advogado não requer licitação, pois é feita em critérios de experiência e confiança.


