Auditoria investiga denúncias em Sabáudia
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quarta-feira, 24 de março de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Sabáudia - Dois analistas de finanças da Controladoria Geral da União investigaram ontem denúncias de irregularidades na atual gestão da prefeitura de Sabáudia (65 km ao oeste de Londrina). O analista Zilmar Rodrigues relatou que o promotor de justiça de Arapongas, Luis Marcelo Bernardes da Silva, encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) documento contendo indícios de irregularidades na administração. O MPF solicitou a auditoria.
Rodrigues informou que houve falha na publicação de um edital para um convênio federal que possibilitou a compra de medicamentos para área de saúde do município. O edital, publicado no jornal ''Gazeta da Cidade'', de Arapongas, foi veiculado, em 2002, apenas nos exemplares que circularam em Sabáudia. Os exemplares destinados a Arapongas tiveram o edital omitido. ''Houve uma publicidade limitada que cerceou o direito de outras empresas participarem do processo'', explicou Rodrigues.
Os primeiros documentos a que eles tiveram acesso não causaram boa impressão. Segundo Rodrigues, as folhas dos processos de licitação ''estão soltas, sem paginação'', o que permite serem alteradas posteriormente. Rodrigues salientou que não há nenhum registro sobre o destino dos medicamentos comprados. ''Não tem relatório, nem documento no computador, nem um livreto escrito à mão para saber quem recebeu que medicamento'', afirmou. O analista criticou a falta de organização da administração e declarou: ''Aqui não há transparência nenhuma''.
Rodrigues adiantou que a controladoria vai investigar os 14 processos que envolvem convênios com o Governo Federal em Sabáudia desde 1997. O trabalho dos analistas da CGU na prefeitura foi acompanhado por policiais militares e federais. A recomendação do auxílio policial foi feita pelo promotor de Arapongas, que disse ter recebido ameaças. Os analistas vão permanecer na região até a conclusão do relatório que será encaminhado ao Ministério Público Federal.
O promotor Luis Marcelo Bernardes da Silva não quis dar detalhes sobre as denúncias, mas apontou que existem indícios de irregularidades envolvendo a aplicação de recursos públicos. ''Seria anti-ético dizer alguma coisa antes de finalizada a investigação'', amenizou. Mas ele acrescentou que foi quebrado o sigilo bancário de algumas pessoas que não podem ser identificadas porque o processo corre em segredo de justiça. O promotor afirmou que a falha na publicação do edital pode ser apenas o começo de várias irregularidades envolvendo esses processos.
Cumprindo seu segundo mandato, o prefeito Wilson Mendes (PSL) se defendeu afirmando que solicitou apenas a publicação do edital. ''Eu mandei fazer da forma correta'', declarou. Ele afirmou que deixou toda a documentação à disposição dos analistas e que vai permanecer na prefeitura ''dando toda a atenção''. Sobre os medicamentos, Mendes enfatizou que a população foi a beneficiada com o convênio. ''Todas as famílias receberam remédios, é só você perguntar nas casas'', rebateu.
O diretor administrativo da ''Gazeta da Cidade'', Paulo Augusto Costa, disse que está tentando descobrir o que aconteceu na época. De acordo com ele, as pessoas que trabalhavam no local não estão mais na empresa. ''Eles mandaram os editais e nós publicamos. Agora estou tentando falar com as pessoas para saber o que aconteceu, se houve alguma falha na impressão'', relatou.


