Auditoria havia apontado dúvida sobre projeto
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sábado, 03 de novembro de 2001
De São Paulo 
A criação de camarão de água doce no Vale do Ribeira começou em novembro de 91. O valor do investimento seria de CR$ 6,8 bilhões (moeda da época) e o montante financiado chegou a 95% do total. Em agosto de 93, a Cacau-Açu pediu suplementação de US$ 12 milhões, mas a solicitação foi vetada. Auditoria interna do Banespa, concluída em janeiro de 94, constatou que ''por serem subsidiados, a probabilidade de desvio de recursos é muito grande''.
O relatório de auditoria sobre o Programa de Desenvolvimento Regional conduzido pelo Departamento de Operações de Desenvolvimento do Banespa com recursos do Fundo de Apoio a Contribuintes do Estado, mostra que ''foram apuradas diversas situações que sujeitam o banco a risco de prejuízos''.
O negócio foi realizado a partir da liberação de parcelas de financiamento sem que verbas provenientes da Secretaria da Fazenda tivessem sido repassadas ao banco. A liberação foi feita com recursos do próprio Banespa, sem reembolso até dezembro de 94. Segundo a auditoria, a liberação de recursos sem o competente aporte pela Fazenda do Estado caracteriza prática irregular que contraria disposto na Resolução 2008 do Banco Central que regulamenta crédito de operações com o setor público.
O banco aceitou como garantia ''benfeitorias a serem construídas com o projeto'', avaliadas em 47% do total repassado. Também foram dadas em garantia duas fazendas em Eldorado e em Pariquera-Açu e cinco imóveis na Capital. O relatório do Banespa apresentou perfil da empresa: ''A Fazenda Cacau-Açu Ltda. é uma das 14 empresas do Grupo Sopoupe, cuja principal atividade está voltada para o setor de consórcios.'' Os empresários Ricardo e Rubens Elia Efeiche, sócios do grupo, não foram localizados para falar sobre o inquérito federal.
Um dos ex-diretores do Departamento de Operações e de Desenvolvimento do Banespa, o economista Ermelindo Garcia Coelho, afirmou que ''não trabalhava no setor quando o financiamento foi viabilizado'' e saiu do departamento, em setembro de 91. Sinézio Jorge Filho e Luiz Roberto Belfiore Saura não foram localizados. (A.E.)


