A Controladoria Geral do Município de Londrina entregou ontem ao prefeito Nedson Micheleti (PT) o relatório em que pede a abertura de uma comissão de sindicância para apurar ''possibilidade de irregularidades'' no edital de serviços de logística. A iniciativa é resultado de uma auditoria anunciada pelo prefeito, no final de fevereiro, assim que o certame de quase R$ 9,2 milhões foi colocado sob suspeita pelo Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv).
Dia 23, o Sindserv tornou pública uma escritura pública declaratória, registrada em cartório na véspera, que antecipava o resultado da empresa vencedora do pregão eletrônico - anunciada no mesmo dia 23, mas à tarde. Segundo o sindicato, a primeira colocada, a Unihealth Logística Ltda., de Barueri (SP), teria sido supostamente beneficiada pelo Executivo na disputa. O grupo acabou desabilitado, no dia 27, porque não apresentou toda a documentação exigida pelo edital. A medida foi anunciada à imprensa no dia seguinte, mas ocorreu no mesmo dia em que o Sindserv ajuizou ação popular.
Apesar da denúncia do sindicato ter como foco o suposto direcionamento, o controlador da Prefeitura, Sinival Osório Pitaguari, afirmou que o trabalho comandado pela pasta não teve esse viés. ''Pelos procedimentos da (Secretaria de) Gestão, não houve nada que indicasse qualquer direcionamento. Caso contrário, ficaria patente na forma como o edital foi montado'', defendeu.
Por outro lado, Pitaguari sugeriu a possibilidade de acordo entre as três empresas que restaram no certame - além da Unihealth, a JTR Logística e Transportes, e a Doca Operadora Logística, são de Barueri (SP), e todas excluídas da disputa por questões aparentemente técnicas.
''A comissão de sindicância pedida ao prefeito terá que apurar a possibilidade de acordo entre as três empresas. Com base nas documentações, constatamos algumas coincidências'', disse. ''Tanto o fato de as pessoas de uma e outra empresa se conhecerem, quanto o de uma empresa testemunhar para a outra (nos trâmites administrativos). A relação entre os sócios era grande'', afirmou.
Questionado se aspectos como a análise dos contratos sociais antes da divulgação das classificadas evitariam problemas adiante, o controlador observou: ''Isso até poderia e teria de ser feito, mas tornaria o processo muito oneroso para a Prefeitura'', justificou.
Sobre a acusação principal do Sindserv, a resposta do controlador é direta: ''Isso (acerto do nome da primeira colocada e denúncia de direcionamento) eles que terão que explicar'', desafiou.

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