A comissão que investiga há dois meses os contratos assinados na administração do ex-prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), revelou que pelo menos dez obras não foram executadas e uma não foi concluída, apesar de terem sido pagas pelo Executivo. O total das cifras envolvendo empreiteiras e construtoras chega à casa de R$ 1.438.683,69 durante os quatro anos da gestão do pepebista.
As principais obras fantasmas, segundo a auditoria da atual administração, são asfaltamentos e pavimentações de vias urbanas, como a Avenida Andradinna, no bairro Pôr-do-Sol, região Leste. A empresa responsável pela obra teria recebido R$ 140.200,00 pelo serviço não executado, o maior valor entre os contratos com indícios de irregularidades.
Dos 101 contratos analisados pela sindicância implantada há dois meses, 41 contratos apresentam suspeitas de fraude, afirmou o prefeito Sâmis da Silva (PMDB). O dossiê montado por Sâmis e divulgado anteontem indica a existência de suposto esquema de desvio de dinheiro da prefeitura, que teria deixado um rombo de R$ 8 milhões. A estratégia seria fragmentar os valores dos contratos evitando a necessidade de realizar licitações.
Em entrevista à Folha na segunda-feira, Daijó negou as acusações. Ele disse estar à disposição do Ministério Público para prestar esclarecimentos sobre as suspeitas. Também disse desconhecer a ‘‘indústria de licitações fraudulentas’’, denunciada por Sâmis. ‘‘As licitações aconteceram dentro de um processo normal’’, assegurou.

mockup