Auditoria aponta sumiço de R$ 1,3 milhão
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terça-feira, 26 de junho de 2001
Lino RamosDe Londrina 
Um levantamento feito pela auditoria da Prefeitura de Londrina aponta uma diferença de R$ 1.317.348.43 na prestação de contas das verbas destinadas à manutenção da equipe profissional de basquete masculino, entre 1997 e 2000, quando era vinculada ao Grêmio Esportivo, Recretativo e Literário Londrinense. O relatório foi entregue ontem à tarde pelo auditor Osvaldo Alves de Lima ao promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti.
Os repasses investigados ocorreram durante a gestão do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido), que não completou o mandato porque em 22 de junho foi cassado pela Câmara de Vereadores. O mandato foi concluído por Jorge Scaff (PSB), que presidiu o Grêmio por 23 anos, permanecendo no cargo até abril do ano passado. Não podemos dizer onde foi parar essa diferença. Estamos encaminhando os documentos ao Dr. Bruno para que tome as providências cabíveis, afirmou o auditor. Ele fez o levantamento a pedido do MP, que investiga repasses da prefeitura no setor esportivo desde o ano passado.
Segundo Lima, de 1997 a 2000, somente em repasses, o Grêmio recebeu R$ 3.331.000, porém a documentação fornecida pelo clube revela que os gastos com o basquete foram de R$ 2.013.000. Pode ser que haja mais comprovantes, nós solicitamos mas não foram entregues à auditoria. Se os gastos não forem comprovados, caberá ao Grêmio apontar os responsáveis, afirmou o auditor. A maior parte dos repasses foi feita pelo município. A empresa Transportes Coletivos Grande Londrina também patrocinou a equipe.
De acordo com Galatti, as informações da auditoria serão analisadas junto com os dados obtidos junto à rede bancária. Nós estamos investigando irregularidades administrativas e improbidade administrativa. Se o dinheiro foi aplicado da forma prevista em lei, ótimo. Se não foi, os responsáveis serão punidos na forma da lei, acrescentou.
O relatório entregue ao MP também aponta que nos documentos não há registro sobre os recursos obtidos com a bilheteria dos jogos de basquete. O dinheiro também não foi somado aos repasses feitos ao Grêmio. O auditor disse ainda que houve a constatatação de diferentes assinaturas nos recibos mensais em nome do jogador Ivan Bonomi. Lima disse ainda que Ederson Camata, Paulo Vicente Viana e Cláudia Elena Paixão, eram pagos com os recursos da prefeitura, embora fossem funcionários do Grêmio.
Camata, atual presidente do Grêmio, disse que não poderia comentar os levantamentos da auditoria porque não tem conhecimento das informações. Ele disse ainda que sua remuneração ocorria porque era diretor de basquete e que a informação está no projeto sobre o basquete, entregue ao MP. A Folha deixou recado no celular de Bonomi, mas ele não retornou ao telefonema.
O MP investiga também o repasse de verbas municipais ao Londrina Esporte Clube (LEC) e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que recebeu R$ 2.175.000 para realizar o Torneio Pré-Olímpico de Futebol na cidade, em janeiro/fevereiro de 2000.


