Auditoria aponta rombo de R$ 2,5 mi
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de janeiro de 1998
Patrícia Zanin Londrina 
Dorico da SilvaVolumeO prefeito Flávio Maiorky e a auditoria encomendada por ele: duas mil páginas em 17 volumes Auditoria das duas últimas administrações municipais encomendada pelo prefeito de Santo Antônio da Platina, Flávio Luiz Maiorky (PFL), aponta prejuízos de R$ 2,5 milhões aos cofres públicos. O resultado da auditoria - reunida em 17 volumes, com mais de duas mil páginas - foi repassado ao Tribunal de Contas (TC), Procuradoria Geral de Justiça, Ministério Público e Câmara de Vereadores. As conclusões da auditoria também foram apresentadas anteontem à imprensa pelo prefeito. Outras investigações estão em andamento.
Entre as principais irregularidades apontadas no relatório da Melo Auditoria e Consultoria S/C, de Londrina, estão a emissão de notas frias para a compra de pneus, compra de medicamentos de firmas fantasmas, contratação sem licitação, aquisição direcionada de veículos, emissão irregular de diárias, além de fraudes em licitações. A auditoria constatou ainda casos de fracionamento de cartas-convites com poucos dias de diferença, um artifício usado para evitar a tomada de preços e a concorrência pública.
A contratação de firmas de publicidade para promoção pessoal, contratos com firmas de pesquisa com endereço e CGC inexistentes, além de aquisição de 10 mil cestas básicas em agosto de 1996, às vésperas do período eleitoral, também constam na auditoria.
Apesar das divergências políticas com a família Ritti, responsável pela administração do município nos últimos oito anos, Maiorky nega revanchismo. Não é briga política. É que a verdade tem que ser dita e queremos que esse dinheiro seja devolvido aos cofres públicos, argumenta.
A auditoria vasculhou os quatro anos de mandato de Maria Eni da Silva Ritti (93-96) e o último ano de administração de José Ritti Filho, ex-marido de Eni (89-92). Flávio Maiorky era vice de Eni, mas alega ter se desvinculado da administração três dias depois da posse. Os dois filhos dela é que mandavam. Não dava para trabalhar. Eles formaram uma quadrilha maquiavélica na prefeitura, acusa. Maiorky não ocupou cargo, mas também não renunciou ao mandato. Apesar disso, não se considera responsável nem conivente com as irregularidades apontadas na auditoria. Não tínhamos como fiscalizar. Eles dominavam tudo e tinham maioria na Câmara, justifica.
Boa parte dos relatórios da auditoria, dividos por área (saúde, educação, licitação, compras) já foi encaminhada para os órgãos competentes no ano passado. Maiorky disse que nem pretendia divulgá-la à imprensa, mas reclama estar sendo alvo de acusações e fofocas da família Ritti. Eles mexem com a família, com os amigos da gente. Não dão sossego, desabafa.
A Folha não conseguiu falar com Maria Eni da Silva Ritti. A ex-prefeita mora em Londrina, mas a mãe dela, Natália, informou à reportagem que a filha está em férias no Nordeste e só retorna no dia 20. Na casa de Eni, Teresa, que se identificou como funcionária dela, disse que a ex-prefeita volta hoje.


