A auditoria do Ministério Público (MP) detectou uma série de irregularidades em despesas realizadas pelo Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) de Londrina. O relatório, que somente foi tornado público ontem, aponta ''aquisição de produtos estranhos às atividades do Provopar ou o pagamento através de documentos impróprios''. Foram analisados documentos contábeis, fiscais e administrativos do Provopar no período de 1998 a 2000. O órgão é alvo de investigação do MP por causa de denúncias que recursos teriam sido desviados para campanhas eleitorais.

Dentre as notas fiscas anexadas ao relatório, estão gastos com pequenas quantidades de bolos, vinhos, flores e presentes, pagamento de jantares, ovos de Páscoa e cestas de Natal. Um dos maiores gastos apontados pela auditoria é o pagamento de R$ 5 mil à atriz Danielle Winits, para o lançamento da Campanha do Agasalho de 1998.

Outro ponto que chama a atenção é o repasse de R$ 3,6 mil da verba de assistência social da Assembléia Legislativa, da cota do deputado Antonio Carlos Belinati (PSL) à instituição, realizado em julho de 99. Apesar da doação, o relatório aponta que o deputado teria recebido no mesmo mês 720 cobertores do Provopar. A Folha tentou entrar em contato com o Antonio Carlos, através de sua assessoria, mas ele não retornou as ligações.

No depoimento prestado segunda-feira à promotora Solange Vicentin, a ex-coordenadora do Provopar Cristina Barros negou qualquer envolvimento em irregularidades. ''A declarante (Cristina) nega terminantemente que tenha destinado qualquer verba do Provopar que não fosse para pagamentos de serviços ou aquisição de produtos para a entidade'', diz um trecho do depoimento.

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