A conclusão de uma auditoria encomendada pelo prefeito Péricles de Holleben Mello (PT) em Ponta Grossa revelou ontem que o município poderia ter economizado cerca de R$ 1 milhão nos últimos quatro anos com a manutenção do serviço de iluminação pública. A auditoria investigou o contrato com a Philus Engenharia, que presta serviço de manutenção. A prefeitura suspendeu por 30 dias o contrato, determinou a instalação de uma comissão de sindicância, além de enviar relatório para o Ministério Público (MP).
O trabalho de auditoria foi feito pela empresa Enercons Consultoria em Energia Elétrica Ltda, de Curitiba. O auditor do município, Ivo Pugnaloni, explicou que foram encontradas diversas irregularidades. O contrato foi firmado em 1996, na gestão do prefeito Paulo Cunha Nascimento (PPB). A Philus ganhou uma licitação e deveria receber R$ 17.017,27 por mês.
Menos de três meses após assumir o serviço, a empresa solicitou a mudança no contrato. Ao invés de receber um valor global, reivindicava recebimento por cada substituição. A empresa alegou que o número de peças estimado como média (923 substituições) não correspondia à realidade. O prefeito negou o pedido.
Em março de 1997, já durante a gestão de Jocelito Canto (PSDB), a empresa apresentou o pedido de mudança e foi atendida. A administração acabou fixando um teto de R$ 30 mil para a manutenção pública mensal que depois passou para R$ 75 mil.
Também começou a haver um aumento no número de substituições. De uma média mensal de mil itens no começo de 1998, passou para mais de três mil nos três meses antes das eleições de 2000. Só em fevereiro deste ano, a empresa informou que trocou 1.034 lâmpadas quebradas – o equivalente a 1,5 a cada hora. ‘‘É muito vandalismo para uma cidade só’’, afirmou o auditor.
O proprietário da Philus Engenharia, Marcos Borsato, emitiu uma nota oficial ontem, negando as irregularidades. Segundo ele, o contrato foi aditado com fundamento na Lei de Licitações nº 8.666/93. A nota diz ainda que todos os reajustes foram feitos conforme a definição existente no edital e no contrato e que todos os serviços cobrados foram prestados. Ele ressalta que sempre esteve à disposição da prefeitura e, por isso, lamenta não ter tido oportunidade de defesa antes da realização da entrevista coletiva.
Jocelito não retornou os recados deixados pela reportagem. (D.A.)

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