Auditoria aponta desvio de R$ 27,8 mi na Fiep
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sexta-feira, 19 de novembro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um esquema de desvio de verbas pode ter causado um desfalque de até R$ 27,8 milhões na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) entre 1997 e setembro de 2003, período em que a Fiep foi presidida por José Carlos Gomes de Carvalho, o Carvalhinho. Auditorias realizadas pela atual gestão da empresa e também pelo Ministério Público (MP) apontam que o beneficiário dos desvios era o próprio Carvalhinho. O empresário morreu em outubro de 2003, vítima de uma infecção intestinal.
As denúncias de desvios levantadas pela própria Fiep levaram a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) a pedir a instalação de uma ação criminal contra Ubiratan de Lara, que era o superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) à época, e André Luiz Sottomaior, que era o supervisor administrativo do Centro de Integração de Tecnologia do Paraná (Citpar). Os dois teriam utilizado cheques e documentos dos dois órgãos para possibilitar os desfalques ao sistema Fiep. Segundo os promotores, os cheques eram descontados em uma agência da Caixa e o dinheiro era entregue em espécie a Carvalhinho.
A denúncia dos promotores da PIC refere-se apenas ao exercício de 2003, quando os promotores apuraram um desvio de R$ 1,84 milhões. ''Vamos agora verificar os dados coletados pela Fiep relativos aos outros anos e checá-los. A quantidade de verbas desviadas pode ser realmente muito superior ao que já verificamos'', explicou o coordenador da PIC, Dartagnan Cadilhe Abilhôa.
Segundo Abilhôa, os cheques eram liberados quase diariamente por Ubiratan de Lara pelo IEL a título de ''projetos especiais da diretoria''. ''Os gastos eram explicados como sendo financiamento a projetos do Citpar, através de recibos duplicados fornecidos por Sottomaior. Vamos agora pedir a quebra do sigilo bancário dos dois para ver se eles também recebiam parte dos recursos'', afirmou Abilhôa. Segundo o coordenador da PIC, a dupla pode responder por apropriação indébita e por falsificação de documentos.
A Fiep anunciou ontem que irá esperar o término da ação que tramita na 6 Vara Criminal contra os dois diretores para decidir se entrará com uma ação cível pedindo o ressarcimento dos prejuízos acumulados ao longo dos seis anos contra os responsáveis pelo esquema. Abilhôa explicou que a PIC só é responsável pela parte criminal do processo. ''Acredito que a própria Fiep irá ingressar com uma ação contra o espólio (herança) do ex-presidente da Fiep para ser ressarcida, caso a Justiça confirme o crime'', afirmou.
A Folha tentou contato com Ubiratan de Lara e Sottomaior, mas não conseguiu localizá-los. O advogado da família de Carvalhinho, Elizeu Furquim. também foi contatado, mas não retornou os recados deixados pela reportagem com sua secretária.


