A auditoria feita pela Prefeitura de Ivaiporã encontrou mais seis cheques que foram depositados em contas do ex-prefeito Luis Pereira (PFL), o padre Luisinho. O dinheiro saía dos cofres públicos com a justificativa de que seria utilizado para pagamento de ações trabalhistas movidas contra o município. A fraude, que lesou dezenas de servidores públicos, será investigada pela Câmara, que instaurou anteontem uma Comissão Especial de Inquérito (CEI).
O rastreamento da auditoria também descobriu cheques depositados em contas do ex-servidor Luiz Antônio de Oliveira, mais conhecido como ‘‘Pica-Pau’’. Ele teria intermediado acordos com vários autores de ações trabalhistas, no escritório de advocacia do ex-assessor jurídico da prefeitura, Melvis Michiuti. O nome de Luiz Antonio Oliveira também consta de vários processos, como procurador de servidores para recebimento de indenizações.
Os primeiros resultados da investigação contábil, determinada pelo prefeito Pedro Wilson Papin (PTB), indicam que havia um suposto esquema de compra de ações trabalhistas, dirigido pelo ex-prefeito padre Luisinho e seu assessor jurídico. Em 1999 e 2000, foram pagos valores irrisórios para que reclamantes renunciassem aos direitos de ações. Depois disso, de posse de uma procuração, normalmente em nome de um ‘‘laranja’’, a prefeitura pagava indenizações com valores de até R$ 50 mil. Estima-se que o desvio seja superior a R$ 400 mil.
O assessor jurídico da Prefeitura de Ivaiporã, Juarez Carneiro de Lima, confirmou que, até o momento, foram descobertos seis cheques depositados em conta particular do ex-prefeito, na agência local do Banestado. Ele citou valores e datas de pagamento de três cheques que foram parar na conta do padre Luisinho. Um deles é de R$ 3.949,00, datado de 1º de agosto de 2000, em nome de Paulo César Bueno, e outros dois com valores de R$ 3.051,00 e R$ 3.779,00, com datas de 5 de agosto de 2000, nominais a Laércio Borges de Medina.

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