Um grupo de auditores fiscais denunciados pelo Ministério Público (MP) do Paraná por corrupção na Receita Estadual, lavava o dinheiro obtido ilicitamente com a compra e a construção de imóveis em Balneário Camboriú (SC). Os valores envolvidos nas transações e o período são objeto de apuração por parte do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que deflagrou anteontem a fase três da Operação Publicano, sobre o escândalo na delegacia de arrecadação sediada em Londrina.
Diferente das duas fases anteriores da investigação, agora os agentes buscam cruzar os dados obtidos e seguir o caminho do dinheiro, "com o objetivo de recuperar o máximo ao erário", segundo o promotor de Justiça e coordenador do Gaeco de Londrina, Jorge Fernando Barreto da Costa. Sem dar detalhes, ele confirmou que o auditor fiscal e delator de todo o esquema, Luiz Antonio de Souza, que segue preso, falou sobre a ida de recursos obtidos por meio de pagamento de propinas para o estado de Santa Catarina, para ocultação de bens. Lá, inclusive, estaria um ex-auditor, que pediu exoneração do cargo na Receita apenas para cuidar dos interesses dos colegas de Londrina, articulando a compra dos imóveis.
De acordo com o advogado Eduardo Ferreira, que defende o delator, Souza revelou muitos detalhes ao MP sobre o patrimônio dos investigados. "O Luiz Antonio foi bastante questionado sobre o patrimônio dos auditores e como foi adquirido. Ele lembrou que havia um grupo de auditores que se organizou para compra de áreas e construção de imóveis em Camboriú (SC)."

‘VALORES SUBSTANCIOSOS’


Com a prisão do ex-delegado da Receita Estadual de Londrina José Luiz Favoreto Pereira, na quinta-feira, foi revelado pelo Gaeco que o suposto "núcleo criminoso" formado por familiares de Favoreto e empresários teria movimentado mais de R$ 6 milhões, inclusive, com a compra e operação de duas lotéricas em Curitiba, compra de jet-ski, imóveis, barcos e carros de luxo. Esse seria o primeiro núcleo de lavagem de dinheiro. Considerando que 60 auditores fiscais foram denunciados à Justiça, a movimentação atingiu "valores substanciosos", disse Barreto.
De acordo com ele, "a partir de agora, a ideia é identificar o patrimônio de todos eles". "Depois das fases iniciais, agora estamos apurando o caminho do dinheiro, ou seja, a lavagem, como os auditores utilizaram o recurso desviado da Receita de Londrina", completou o promotor.

DEFESA

O advogado Walter Bittar, que defende Favoreto e o irmão Antonio Favoreto, afirma que a prisão não se justifica e vai pedir a revogação à Justiça. Favoreto já foi preso na primeira fase da operação, em março, e ficou cerca de cem dias detido - foi solto após uma liminar do STJ (Superior Tribunal de Justiça). "Essa é a terceira prisão dele, pelos mesmos fatos. Esses fatos não são novos", argumenta Bittar. "Ele não representa nenhum tipo de ameaça à lei, não há materialidade no pedido e a prisão está apenas baseada na palavra de um delator." (Com Folhapress)

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