A campanha à reeleição do governador Beto Richa (PSDB) pode ter recebido R$ 4,3 milhões do esquema de cobrança de propina descoberto dentro da Receita Estadual em Londrina. A informação, revelada pelo auditor - e delator - Luiz Antônio de Souza em depoimentos ao Ministério Público (MP), integra as investigações da segunda fase da Operação Publicano, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na quarta-feira e que, até agora, resultou na prisão de 49 pessoas suspeitas de participar da organização criminosa.
De acordo com as investigações, as delegacias da Receita em Curitiba e em Londrina teriam contribuído com R$ 2 milhões e R$ 800 mil, respectivamente, junto à campanha de Beto. O restante do valor (R$ 1,5 milhão) teria sido arrecadado por auditores das demais delegacias do Estado, localizadas em cidades como Maringá, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa, por exemplo.
Souza contou aos promotores que o dinheiro era entregue ao ex-inspetor geral da Receita Márcio Albuquerque de Lima que, por sua vez, repassava o montante ao empresário Luiz Abi, considerado pelo MP o "verdadeiro gestor político" do órgão estadual. De acordo com o delator, Abi, que é parente distante do governador, teria intermediado o repasse de valores do esquema para a campanha de Beto.
Luiz Abi teve a prisão preventiva decretada pela Justiça na segunda fase da Operação Publicano, mas seguia desaparecido até o início da noite de ontem.
Já o PSDB informou, em nota, que jamais utilizou dinheiro ilícito para custear a campanha de Beto à reeleição. Os valores recebidos, de acordo com o partido, foram todos declarados e comprovados na Justiça Eleitoral. O partido esclareceu também que Abi não fazia parte do comitê do governador e, por isso, não teve a competência de trabalhar na captação de recursos para a campanha.
A promotora do Gaeco, Leila Schimiti, disse que além das declarações de Souza, outros investigados e testemunhas mencionaram arrecadação de propina para campanhas eleitorais. "Nós temos algumas falas que fazem um atrelamento a campanhas eleitorais, mas ainda estamos fazendo a análise dessas falas e, no momento oportuno, se houver alguma situação que tenha relevância, nos vamos encaminhar para a Justiça Eleitoral ou para outras instâncias judiciais", declarou a promotora. (Colaborou com Loriane Comeli)

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