A quarta fase da Operação Publicano identificou propinas pagas por uma empresa de Ibiporã e um abatedouro de Rolândia, em valores que quase alcançam R$ 900 mil. As informações foram relatadas pelo auditor Luiz Antonio de Souza, delator do esquema ao Gaeco. Segundo a apuração do Gaeco, Souza teria pedido ao auditor fiscal Nelson Mitsuo Suzuki que apresentasse os empresários de Ibiporã, após saber que a empresa passava por dificuldades financeiras. Suzuki seria amigo dos proprietários.
O acordo firmado entre Souza e os empresários seria o repasse de R$ 750 mil ao grupo de fiscais, por intermédio de Suzuki, em troca de uma auditoria fictícia na empresa para "zerar o passado". A partir da "auditoria", os empresários passaram a inserir créditos em Guias de Informação e Apuração (GIA’s) de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, que chegaram ao valor de R$ 7 milhões. Os auditores também teriam ficado com valor correspondente a 20% das GIA’s fictícias. O pagamento aos auditores teria sido feito, ainda segundo o Gaeco, em parcelas de R$ 50 mil e R$ 60 mil.
No caso do abatedouro de Rolândia, os repasses chegam a R$ 120 mil em propina, pagos entre agosto e outubro do ano passado para o auditor fiscal Ranulfo Dagmar Mendes, que repassou os valores para Souza. A negociata com o então proprietário teria ocorrido antes da venda do abatedouro e o valor pago em propina teria sido consignado na dívida da empresa em uma simulação de débito com um escritório de advocacia, de acordo com o Gaeco.
Na planilha de Souza, constam repasses feitos a Mendes em uma parcela de R$ 75 mil em outubro, dos quais R$ 60 mil foram para o auditor-delator e o restante dividido entre a organização criminosa. Em novembro, foram repassados mais R$ 30 mil. A "auditoria" na empresa ocorreu entre o fim de maio e meados de setembro do ano passado, segundo o Comando de Auditoria Fiscal (CAF), mas o período que consta de fiscalização vai de janeiro de 2009 a maio de 2014, um hiato de mais de cinco anos. A autuação lavrada foi no valor de R$ 102,7 mil. O capital social da empresa passa de R$ 1,137 milhão.
A FOLHA tentou falar com os proprietários das empresas citadas pelo delator, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

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