Auditores pedem ao TCU rejeição de contas do PT
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2006
Diego Escosteguy<br> Agência Estado 
Brasília Parecer de auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) remetido à Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao qual a Agência Estado teve acesso recomenda que a corte desaprove as contas do PT referentes ao ano de 2003. Os técnicos também sugerem que o partido devolva R$ 1,9 milhão aos cofres públicos. Os ministros do TSE ainda vão decidir se acatam ou não as recomendações dos analistas.
Segundo os peritos, o débito de R$ 1,9 milhão deve-se ao montante de despesas da sigla pagas com dinheiro do Fundo Partidário e não comprovadas com notas fiscais. O Fundo é financiado com recursos públicos e distribuído aos partidos políticos, que devem aplicar as verbas com a manutenção das sedes e a folha de pessoal.
O TSE pediu a auditoria ao TCU devido à série de reportagens que mostraram como o PT utilizou irregularmente recursos do Fundo. O pente-fino dos analistas confirmou as investigações e constatou o pagamento de passagens aéreas para pessoas sem relação com a legenda, o fretamento ''indiscriminado'' de aeronaves e a utilização de hotéis de luxo.
Os auditores recomendaram que o PT também devolva R$ 25,9 mil total em gastos irregulares com passagens aéreas. De acordo com a análise dos técnicos, o partido gastou R$ 291 mil com o fretamento de aeronaves para lideranças da legenda. Segundo o parecer, faltou zelo ao partido. ''A economicidade não foi observada em alguns atos da gestão do Fundo Partidário pelo Partido dos Trabalhadores, no exercício de 2003'', afirmam os analistas. ''Exemplo disso foi o indiscriminado fretamento de aeronaves, que é um meio de transporte excepcional e de alto custo.''
Caso os ministros do TSE concordem com as recomendações, o PT pode ficar sem os recursos do Fundo para o ano que vem. Em 2003, o partido recebeu R$ 21,7 milhões. Procurado, o secretário de Finanças do PT, Paulo Ferreira, negou qualquer irregularidade nas contas de 2003.


