Auditores demonstram comportamento delitivo
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terça-feira, 07 de junho de 2016
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Na cota à denúncia da quinta fase da Operação Publicano, protocolada anteontem pelo Ministério Público (MP), os promotores sustentam a necessidade da manutenção da prisão do principal delator do esquema de corrupção na Receita de Londrina, Luiz Antonio de Souza, e de sua irmã, Rosângela de Souza Semprebom, também auditora fiscal. No documento, assinado por Jorge Barreto da Costa, Leila Schimiti e Renato Castro, eles afirmam que os dois "possuem personalidade extremamente voltada à prática delitiva, tendo demonstrado através de seu comportamento delitivo contumaz que não pretendem se afastar da criminalidade".
A afirmação se justificaria em razão de terem feito, em maio do ano passado, acordo de delação premiada com o MP, e pouco tempo depois já rompiam uma das cláusulas do termo: voltavam a delinquir. Segundo a denúncia, Souza passou a comandar uma organização criminosa formada por companheiros do presídio, familiares e outras pessoas próximas que extorquia empresários para que fizessem pagamentos. Um dos presos relatou que sabendo que o auditor tinha dinheiro, o procurou na cadeia. Souza teria dito que se ele conseguisse receber dívidas de empresários, de dentro da cadeia, poderia ficar com a metade do valor. De fato, valores foram depositados na conta do preso apontam as investigações.
"Contando com os préstimos dos demais integrantes da organização criminosa, especialmente de Rosângela Semprebom, Márcio Semprebom (marido de Rosângela), Daniela Feijó (mulher de Souza) e Eduardo Ferreira (advogado do delator), o denunciado Luiz Antonio de Souza inicialmente praticou crime de extorsão (
) posteriormente passou a promover a cobrança dos empresários que lhe deviam vultosas quantias em sua maior parte provenientes de acordos de propina", descrevem os promotores.
O advogado nega qualquer envolvimento e sustenta que Souza e seus familiares também não praticaram crimes. Diante do pedido do MP de rescindir o acordo de delação premiada, ele sugere uma repactuação. O acordo prevê que o auditor, também acusado de dezenas de crimes sexuais, sairia do regime fechado em 30 de junho. Se for rescindido, ele poderá continuar preso. O auditor foi preso em 13 de janeiro do ano passado com uma adolescente em um motel. Caberá ao juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, o mesmo que firmou o acordo, decidir sobre sua rescisão. Até ontem, ainda não havia despacho.
Na cota, os promotores também pedem a manutenção da prisão dois principais empresários da suposta organização criminosa ligada ao setor de abate de suínos: Antonio Luiz da Cruz e Aparecido Domingues dos Santos, o Dinho do Porco. Eles, sustenta o MP, "operaram, por ao menos oito anos, na liderança de uma complexa organização criminosa, estruturalmente ordenada, cujo objetivo primordial era gerar o enriquecimento ilícito de seus integrantes, em detrimento do erário, por meio de crimes contra a ordem tributária, falsidades ideológicas e corrupções".


