Auditores confirmam esquema Firjan-PT
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terça-feira, 12 de julho de 2005
Janaina Lage<br>Folhapress 
Brasília - O procurador federal Fábio Aragão afirmou ontem que mais três auditores confirmaram a existência de um esquema de propina em que a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) pagaria mensalidade a integrantes do governo federal. A Firjan convocou a imprensa e negou as acusações. Segundo Aragão, a auditora Maria Teresa Alves, que aparece conversando com Maria Auxiliadora na gravação apresentada anteontem no ''Jornal Nacional'', o marido de Maria Teresa, Francisco Santos Alves, e uma terceira pessoa que ainda vai depor, confirmaram o esquema.
O vice-presidente da Firjan, Carlos Mariani Bittencourt, afirmou ter recebido a notícia com surpresa. Segundo o vice-presidente do Cirj (Centro Industrial do Rio de Janeiro), João Lagoeiro Barbará, as denúncias são ''fantasiosas e delirantes''. ''Era impossível que houvesse um contrato como a senhora Maria Auxiliadora diz entre a Firjan e a fiscalização do INSS. Ainda mais um contrato que viria do governo Fernando Henrique e que atravessou incólume essa transição bastante drástica do PSDB para o PT'', afirmou.
Desde maio, quando surgiram as denúncias sobre um suposto esquema de ''caixinha'' na Firjan, a federação realizou uma auditoria externa e entregou a conclusão do trabalho ao Ministério Público Federal. A auditoria, no entanto, se limitou a verificar se havia algum tipo de contrato formal entre o Sincera e a Firjan. Segundo Barbará, a federação não tem poderes para verificar os níveis de fiscalização das empresas fluminenses. De acordo com ele, o presidente da federação, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, afirmou por telefone jamais ter tido qualquer contato com Delúbio Soares ou Amir Lando. O presidente da federação está fora do país.
Reportagem divulgada anteontem à noite no Jornal Nacional mostrou uma gravação de uma conversa telefônica entre as auditoras fiscais Maria Auxiliar de Vasconcellos e Maria Teresa Alves. A primeira foi presa em maio após denúncia de um suposto esquema de ''caixinha'' na Firjan, que reunia as empresas que optavam por pagar propina para evitar a cobrança de impostos.
Maria Auxiliadora afirma em conversa gravada em agosto de 2004 que José Dirceu, à época ministro da Casa Civil, e o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, recebiam uma mensalidade da Firjan em troca de omissão da Previdência na fiscalização de empresas ligadas à entidade. A auditora relata uma suposta conversa com o ex-ministro Amir Lando em que ele teria confirmado o esquema. Todos os citados na reportagem negaram a veracidade das informações.


