Auditora se entrega e vai para carceragem de DP
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quinta-feira, 21 de maio de 2015
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
A auditora da Receita Estadual de Londrina Ana Paula Pelizari Marques Lima, mulher do suposto líder da quadrilha que extorquia empresários sonegadores de tributos na região, se entregou ontem, no começo da tarde, ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Foragida há 24 dias, ela foi levada à carceragem do 3º Distrito Policial (zona oeste), única cadeia feminina na cidade. Por ter curso superior em economia, deve ficar em cela individual.
A prisão de Ana Paula foi decretada pela 3ª Vara Criminal de Londrina em 27 de abril, data em que a juíza substituta da vara, Deborah Penna, recebeu a denúncia contra ela e 61 pessoas, incluindo 14 auditores.
O delegado do Gaeco, Alan Flore, disse que a auditora não foi ouvida ontem porque a prisão foi decretada após o recebimento da denúncia, ou seja, não existem, neste momento, questões pendentes quanto a ela. O advogado da auditora, Douglas Maranhão, evitou comentar a decisão da cliente e tampouco informou onde ela estava. "Vou manter a conduta de não comentar o caso", disse.
O marido de Ana Paula, Márcio de Albuquerque Lima, que já foi o delegado-chefe da Receita em Londrina e, em junho do ano passado, foi promovido a inspetor-geral de fiscalização da Receita do Paraná, se entregou em 29 de abril, após ficar quase 40 dias foragido, e, na semana passada, conseguiu habeas corpus (HC) no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Todos os réus da Operação Publicano (que não respondem também por crimes sexuais) já foram soltos. Eles obtiveram liberdade por decisões do ministro Sebastião Reis Júnior, do STJ.
Quanto a Ana Paula, o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná negou a liminar e a defesa aguarda o julgamento de mérito. Um HC impetrado no STJ em favor dela, questionando o indeferimento da liminar pelo TJ, foi negado.
DENÚNCIA
A auditora, seus colegas, empresários, contadores e "laranjas" são acusados de integrar organização criminosa que arrecadou pelo menos R$ 50 milhões em propina nos últimos 10 anos. O número é fruto de uma segunda fase da operação Publicano, cujas investigações se desenvolvem com base em informações prestadas pelo auditor Luiz Antonio de Souza em acordo de delação premiada.
Segundo seu advogado, Eduardo Duarte Ferreira, além de confirmar a denúncia já proposta pelo Ministério Público, seu cliente citou o nome de pelo menos 100 empresas e pessoas que também participavam ou se beneficiavam do esquema.
Uma das informações do delator é que a organização criminosa arrecadou, em 2014, R$ 2 milhões em propina para a campanha de reeleição para Beto Richa (PSDB). Souza também implicou a cúpula da Receita do Paraná e o coordenador-geral, José Aparecido Valêncio da Silva, exonerou-se anteontem do cargo.


