Auditor réu na Publicano é preso novamente
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de julho de 2017
Guilherme Marconi<BR> Reportagem Local 
O auditor da Receita Estadual de Londrina Orlando Coelho Aranda foi preso na manhã deste sábado (8) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que também cumpriu mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, titular dos processos relativos à investigação de um esquema de corrupção iniciado em meados de 2014.
De acordo com o delegado do Gaeco, Alan Flore, na sexta-feira (7) o servidor foi flagrado em frente à sede do Ministério Público, na zona sul, tirando fotos de pessoas que entravam e saíam do local. "Foi uma postura intimidatória para monitorar o trabalho dos promotores. Aranda foi flagrado por policiais e admitiu que estava ali para essa finalidade. A medida foi adotada para resguardar a instrução criminal da Publicano ", declarou Flore.
O auditor fiscal é réu em dois processos da Publicano (primeira e quarta fases) acusado de corrupção passiva e integrar a organização criminosa que comandava um esquema de corrupção instalado na Receita Estadual, consistente na exigência de cobrança de propina para deixar de fiscalizar sonegação de ICMS.
O advogado de Aranda, Valter Bittar, disse que vai entrar com pedido de habeas corpus no TJ (Tribunal de Justiça do Paraná). "O mandado de busca não teve êxito, nada foi apreendido", declarou. O advogado disse que não teve contato com o auditor e alegou que o motivo da prisão seria pelo incômodo que Aranda estaria causando aos promotores. "O réu se tornou alvo do MP porque fez denúncias, ou seja, durante a fase de interrogatório ele narrou a existência de fraude no processo"
Aranda, durante interrogatório no processo relativo à Publicano 4, em maio deste ano, questionou a imparcialidade do promotor Renato de Lima Castro, acusando o MP de deixar de investigar o contador Paulo Caetano de Souza de quem Castro seria sócio e que foi citado pelo principal delator do esquema o ex-auditor Luiz Antônio de Souza como pessoa que intermediaria acordos de corrupção.
Em nota, à época, o MP considerou a denúncia como "ataques pessoais" e os classificou como "desnecessários, descabidos, desleais, ilegais e vêm sendo dirigidos com o único propósito de desqualificar a atuação dos membros do MP". O caso foi levado pelo MP de Londrina à Procuradoria Geral de Justiça, que instaurou procedimento para apurar o caso.
De acordo com o advogado, não há nenhuma medida cautelar na justiça que o impeça de se aproximar do Ministério Público e de promotores. "A única medida contra Aranda é que ele não pode ter contato com outros auditores investigados neste processo e precisa se apresentar a justiça a cada 30 dias", informou Bittar.
O auditor foi encaminhado pela PEL 1 (Penitenciária Estadual de Londrina), na zona sul. Na Publicano 1, Aranda foi condenado a 14 anos de prisão e recorria em liberdade. Mesmo afastado da função, segue recebendo o salário mensal de R$ 33.710,11, segundo informações do Portal da Transparência do governo do Paraná. (Colaborou Loriane Comeli)


