O auditor da Receita Estadual de Londrina, Luiz Antonio de Souza, que já prestou mais de 40 horas de depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), revelando como funcionava o esquema de corrupção e cobrança de propina de empresários que sonegavam impostos estaduais, pediu à Justiça para antecipar a venda de bens que pretende usar para cumprir o acordo de delação premiada que firmou com os promotores.
Segundo seu advogado, Eduardo Duarte Ferreira, Souza vai devolver, inicialmente R$ 20 milhões. Ferreira disse que o auditor "poderia deixar para pagar a indenização apenas ao final do processo, mas pretende cumprir todas as obrigações do acordo de delação o mais rápido possível". O dinheiro terá origem da venda de duas fazendas que estão em nome da mãe do auditor e sua irmã, Roseneide de Souza, que acabou sendo presa na operação Publicano por ser "laranja" do irmão. Conforme trecho da petição à 3ª Vara Criminal, as fazendas – cada uma com 1,5 mil hectares – ficam no município de Rosário do Oeste (MT). Uma está avaliada em R$ 11 milhões e a outra em R$ 9 milhões. No pedido, Souza sugere a venda pública, ou seja, leilão das propriedades.
Segundo o Gaeco, o patrimônio do auditor seria de aproximadamente R$ 40 milhões. Souza possui ainda uma casa em um condomínio de alto padrão na Gleba Palhano. O advogado, porém, não quis revelar o valor total da indenização definido com o Ministério Público (MP) do Paraná, mas não descartou que outros imóveis do auditor entrem no acordo. Questionado se as fazendas foram adquiridas com dinheiro de propina, Ferreira afirmou que "não, necessariamente".
Pelas cláusulas do acordo de delação premiada, a entrega do valor se dará "a título de indenização/ressarcimento cível, abrangendo as sanções decorrentes de ato de improbidade, pelos danos que reconhece causados pelos diversos crimes" (não só contra a administração pública, mas de lavagem de ativos, contra a dignidade sexual de vulnerável, dentre outros).
Os depoimentos de Souza, que está preso desde 13 de janeiro após ser flagrado com uma adolescente em um motel, começaram no final de abril. Até agora, segundo o que revelou Ferreira à imprensa, ele entregou mais de cem pessoas e empresas – incluindo 35 auditores. Com a primeira fase da Operação Publicano, o Gaeco havia identificado a participação de 15 auditores. Souza também revelou, segundo Ferreira, que a organização criminosa, em dez anos, teria arrecadado mais de R$ 50 milhões em propina e causando um rombo de pelo menos R$ 500 milhões aos cofres do estado.
O auditor também revelou um esquema de arrecadação de propina supostamente destinada à campanha de reeleição do governador Beto Richa (PSDB). Dois milhões de reais teriam sido arrecadados em 2014. O PSDB nega qualquer doação ilegal na campanha.
O MP, que deverá se manifestar sobre a antecipação da venda das propriedades, preferiu não comentar os detalhes do acordo de delação premiada.

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