Auditor descobre dívida de R$ 2 milhões em extras
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segunda-feira, 25 de junho de 2001
Lúcio HortaDe Londrina 
Um levantamento parcial da auditoria interna do município na folha de pagamento revelou que a Prefeitura de Londrina tem cerca de 160 mil horas extras armazenadas para pagamento, o que corresponderia a R$ 2 milhões. O valor, segundo o auditor-chefe do município, Osvaldo Alves de Lima, vem se acumulando nos últimos anos e em muitos casos já está prescrito porque não foi pago no prazo legal de cinco anos. Tem caso de ação trabalhista, por exemplo, em que 60% das horas pedidas estão prescritas, disse Lima que ainda está fazendo o levantamento completo dos casos.
O auditor informou que, além das ações da Justiça, um dos principais motivos para o acúmulo das extras é a maneira como é feito o cálculo. Atualmente, segundo Lima, a prefeitura toma como base os dias úteis do mês, e não a jornada de trabalho o que reduziria o valor. Queremos evitar um impacto na folha de pagamento, disse. Se tivessemos que pagar tudo de uma vez, por exemplo, por determinação da Justiça, não teríamos condições.
Além do pagamento em folha, parte das horas-extras armazenadas pode ser compensada com folgas. Lima acrescentou que o problema só foi amenizado porque o prefeito Nedson Micheleti (PT), logo que asumiu o cargo, no início do ano, baixou um decreto proibindo que se faça novas horas-extras. As exceções só podem ocorrer com a aprovação prévia de Nedson.
Outro problema encontrado na auditoria na folha de pagamento foi o grande número de faltas de trabalhadores justificadas com atestados médicos. Um levantamento feito no ano passado demonstra que, de janeiro a outubro de 2000, o custo com as faltas foi de outros R$ 2,2 milhões, que foram pagos.
Estamos preocupados com a qualidade do serviço público, que pode ser prejudicada com a falta em excesso dos servidores, e também com a saúde do trabalhador, disse Lima. A auditoria irá sugerir que o setor de medicina do trabalho da prefeitura tenha pelo menos mais dois médicos, dois fisioterapeutas, duas psicólogas e dois enfermeiros. Atualmente, segundo ele, apenas uma pessoa atua na perícia médica para um contingente de aproximadamente 8 mil trabalhadores.
Lima estima que em dois meses o trabalho da auditoria na folha da prefeitura esteja concluído. Depois, o relatório será encaminhado ao prefeito.


