Brasília - Os líderes do governo no Senado foram obrigados a ceder, ontem, na tramitação da reforma da Previdência e concordaram com a realização de duas audiências públicas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para discutir a proposta. Inicialmente, o governo pretendia fazer apenas uma audiência pública, mas teve de recuar e atender à reivindicação dos aliados e da oposição para que a reforma seja mais debatida na CCJ. Hoje, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, se reúne com os líderes dos partidos aliados ao governo no Senado para pedir pressa na tramitação da Previdência.
''Pode ter pressa, mas sem açodamento. Não com apenas uma audiência pública como eles queriam'', disse o líder do PDT, senador Jefferson Perez (AM), depois de reunião do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), com os líderes dos partidos aliados e de oposição para discutir o calendário de votação da reforma. ''A Previdência já foi exaustivamente debatida na Câmara'', observou o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). As audiências públicas deverão ser realizadas hoje à noite e na próxima terça-feira.
Pelo cronograma acordado ontem entre o presidente Sarney e os líderes partidários, a Previdência deverá ser votada em primeiro turno no plenário do Senado no dia 8 de outubro ou, no máximo, no dia 15. O relator da proposta no Senado, Tião Viana (PT-AC) apresenta seu parecer à CCJ no próximo dia 17 de setembro. No dia 24, a reforma deverá ser votada na Comissão. A proposta segue, então, para o plenário, onde deverá receber emendas dos senadores e será discutida durante cinco sessões. Se tiver emendas, a reforma retorna à CCJ para que o relator apresente seu parecer sobre as propostas de mudança.
''A nossa colaboração com a reforma da Previdência será proporcional ao nível de aceitação do relator das nossas propostas de emendas à reforma'', afirmou o líder do PFL, senador José Agripino Maia (RN). Mas ele avisou que o PFL vai obstruir a tramitação da reforma, caso o governo decida atropelar as discussões no Senado. Agripino Maia disse ainda que o partido poderá usar a reforma da Previdência para pressionar mudanças na reforma tributária, que deverá chegar ao Senado daqui a duas semanas.

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